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terça-feira, 27 de abril de 2010

Palestra de homenagem ao patrono do liceu, Dr. Rui Barcelos da Cunha



..No dia 26 de Março de 2010 realizou-se, no liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha, uma palestra alusiva à biografia do patrono deste liceu. Entre as 10 e as 12 horas da manhã, alunos e professores assistiram a esta actividade, retomando as aulas em seguida. Enquanto aguardava o início da palestra, a assistência ouviu música, o que animou o ambiente e chamou a atenção da comunidade escolar. Na mesa da organização estiveram Beto da Cunha, irmão de Rui Barcelos da Cunha, Mário Júlio Benante, director do liceu, Justino João Có, sub-director do liceu, Quintino Turé, director do liceu de Quinhamel, Lassana Camará, o orador, Mário Ialá, o moderador, Luís Nancassa, presidente do SINDAPROF.
..Mário Júlio Benante, director do liceu, começou por agradecer a todos os alunos e professores a sua presença e relembrou que o dia do liceu é a 04 de Abril, tendo sido antecipada a sua comemoração devido à coincidência desse dia com o dia de Páscoa.
..Beto da Cunha dirigiu-se aos alunos presentes e revelou que o seu irmão Rui Barcelos da Cunha gostava muito de estudar, recomendando que seguissem o seu exemplo.
..Estava prevista a intervenção do presidente de Associação de Pais mas, devido à sua ausência, a direcção do liceu chamou à mesa o presidente da SINDAPROF, Luís Nancassa, cuja intervenção mereceu aplausos dos presentes. Luís Nancassa lamentou o problema do analfabetismo que afecta a Guiné-Bissau, apelando à mudança de comportamentos para alterar esta situação. Recomendou aos alunos que deixassem as cábulas, que respeitassem o ambiente e as infraestruturas da escola, que tivessem comportamentos exemplares e que fizessem dos estudos a sua profissão, para terem um futuro melhor e virem a desempenhar profissões ambiciosas. Também dirigiu algumas palavras à direcção e aos professores, citando Amílcar Cabral: “aquele que sabe, deve ensinar os que não sabem”. Recomendou ainda aos professores que se empenhem no processo de ensino e aprendizagem, pois é na escola que se forma uma nação.
..Finalmente, teve lugar a intervenção do orador Lassana Camará, que apresentou alguns dados sobre a vida, os estudos e o trabalho de Rui Barcelos da Cunha, patrono do liceu a que dá nome.
..Depois das intervenções dos elementos da mesa, o moderador abriu espaço para que a assistência colocasse dúvidas. Foram feitas algumas perguntas sobre a vida de Rui Barcelos da Cunha e um aluno perguntou porque é que os alunos não falam português. Relativamente à língua portuguesa, Lassana Camará reconheceu o problema da língua portuguesa não ser falada fora da escola e também dentro do recinto escolar, talvez por não ser a língua materna dos guineenses e ser por isso muito complexa. Beto da Cunha esclareceu ainda algumas curiosidades sobre a família de Rui Cunha, como o facto de ter cinco filhos espalhados entre Lisboa, Paris e Dacar. Revelou ainda que o local onde está hoje o liceu Dr. Rui Cunha, foi antes a casa dos seus pais, onde terá nascido a figura homenageada.


Por Felismina Mendes - com a colaboração e correcção
dos restantes elementos do Clube e Atelier de Jornalismo

Intercâmbio entre o nosso liceu e o liceu de Quinhamel

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Depois da palestra realizada em homenagem ao patrono do Liceu, Dr. Rui Barcelos da Cunha, a 26 de Março de 2006, tiveram início os três dias de intercâmbio com o Liceu de Quinhamel. Por volta das 17 horas, professores e alunos partiram de Bissau para Quinhamel, onde foram recebidos com muita animação.
O dia seguinte, 27 de Março, começou com uma sessão de ginástica matinal. Seguiu-se um pequeno-almoço reforçado e deu-se início a uma visita guiada a Quinhamel. A comitiva teve oportunidade de conhecer a fábrica de cana de Manuel Santos, onde trabalham 180 funcionários, e acompanhar o processo de produção desta bebida. As instalações do hospital materno-infantil da Missão Católica mereceram também a visita desta comitiva. No mesmo dia tiveram lugar os jogos de futebol entre as equipas femininas e masculinas dos dois liceus, saindo vencedoras as alunas e os alunos do Liceu Dr. Rui Cunha, por 3-0 e 1-0, respectivamente. O dia terminou em confraternização.
No domingo, 28 de Março, jogaram os professores e em seguida houve um animado piquenique na praia. À tarde, as direcções dos liceus fizeram o balanço das actividades e Quintino Turé, director do liceu de Quinhamel, agradeceu a visita da comitiva de Bissau, na expectativa de que possa ser repetida esta iniciativa.
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Fotos do intercâmbio:






Por: Cassiano Mané
e Teodora Tavares

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Porque é que a política também é para nós?

A política está ligada à liberdade e as duas estão associadas à capacidade do homem agir em público, que é o local original da política. A política é um esforço” para fazer reinar a ordem e a justiça, assegurando o poder, o interesse geral e o bem comum contra a pressão das reivindicações particulares. É também um meio de realizar a integração de todos os indivíduos na comunidade, de forma a obter a “cidade justa” a que aspiraram muitos pensadores. Para Aristóteles, por exemplo, a tarefa e o objectivo da política é a garantia da vida no sentido mais amplo, ou seja, está directamente relacionada com a busca da felicidade.
Se considerarmos a política como integração numa sociedade, a acção política está presente em todos os momentos da nossa vida, num âmbito mais ou menos privado ou mais ou menos público, quando nos relacionamos em família, com as pessoas do bairro ou da escola… somos parte integrante da “Cidade”. Enquanto cidadãos, pertencemos a um Estado e temos que fazer escolhas: podemos deitar lixo nas ruas ou não; podemos participar na associação do nosso bairro ou não; podemos trabalhar como voluntários por uma causa que acreditamos ou não; podemos até votar num político ou não vota, pois a própria abstenção é uma tomada de posição, que influencia em tudo o que acontece à nossa volta. Mas, se quisermos ter uma posição mais activa e responsável, que dê real significado à política, devemos, no mínimo, inteirar-nos dos diferentes programas políticos, porque somos nós os eleitores dos que vão chegar ao poder. Seria mau deixar à sorte a escolha do nosso futuro; para além de que o poder que tem por base o povo é o mais forte.
A política que esquece o povo e que consiste apenas em troca de insultos e intrigas, que pretende apenas o poder e o lucro, ou pior, a política que oprime o povo e não considera as suas escolhas não pode ir longe. Não podemos deixar que isto aconteça, temos que assumir que a política também é para nós, jovens e cidadãos comuns, porque está nas nossas mãos procurar o melhor para o nosso país. No futuro poderemos mudar o rumo das coisas, pois se tomarmos “o poder com a força do povo, a força do povo prevalecerá” e afastará a “força da bala”, como refere o cantor e músico guineense Zé Manel. Mas será que todos temos consciência da importância que cada um de nós desempenha?
Numa altura em que a Guiné-Bissau exige de todos uma reflexão sobre a política e sobre o futuro, saímos à rua para saber o que têm a dizer professores, alunos, jovens, enfim, os cidadãos comuns sobre o porquê de a política também ser para nós.

Qual é a importância da política?
Que dificuldades se podem colocar à política?
Considera que o nível de escolaridade da população pode ter influência na política?
Que papel têm os jovens na política?

António Pedro Barreto – professor de Educação Visual:
“A política permite-nos gerir um Estado. Os jovens devem ter um papel político e unir-se com objectivos comuns que ajudem toda a comunidade. Podem, por exemplo, criar associações que lhes permitam agir. As desvantagens da política têm a ver com o facto de existirem diferentes classes sociais. Quem é escolarizado faz melhores escolhas, quem é analfabeto limita-se a entrar na carruagem.”

Anita Brandão da Silva – professora de Inglês:
“A política é importante porque permite mudar muita coisa, particularmente num sistema democrático que dê a toda a gente a oportunidade de se expressar livremente. Por vezes, os políticos decidem fazer uma política sem bases e isso frequentemente traz complicações para a sociedade.
Os jovens são mais instruídos, pelo que devem contribuir para uma educação cívica da comunidade, ajudando as populações a compreenderem os programas apresentados pelos políticos.”

Aladje Dembo Jaquité – estudante do o 4º ano de Direito:
“É por meio da política que gerimos a coisa pública, que desenhamos tipos de desenvolvimento e que estabelecemos boas relações externas com os demais países do mundo. Mas, quando se fala de política no contexto guineense, a política está banalizada, porque é feita por pessoas que muitas vezes não conhecem a sua finalidade. Para além de que os militares têm uma intervenção no contexto político que gera convulsões. Por outro lado, a Guiné-Bissau tem condições adversas à afirmação política dos intelectuais. Nas campanhas pré-eleitorais, o povo dá atenção a questões que não estão relacionadas com a política, mas com a vida pessoal e social dos candidatos.
O papel dos jovens na política não é aquele que deveria ser, devido ao desconhecimento da História do nosso país e, por outro lado, ao frágil funcionamento das instituições do Estado. Os jovens vão atrás daquilo que ouvem dos políticos, sem procurarem ter uma opinião formada sobre vários aspectos da vida política, sendo que, depois das eleições, são os primeiros a terem as expectativas frustradas. Também não é garantido que a ascensão dos jovens na política, mesmo com elevada formação, possa mudar o cenário político do nosso país, até porque nada indica que as novas gerações sejam menos corruptas do que as anteriores. Ser escolarizado não significa ser bem formado. É preciso apostar na escolarização, mas sobretudo na educação cívica.”


Djenabu Seide – estudante da 8ª classe :
“Para mim, a política consiste na discussão de ideias que levam ao desenvolvimento de um país. No entanto, na Guiné, a política traz muitos problemas. Quem se levanta para reivindicar os seus direitos morre.
Acho que saber ler e escrever contribui para o desenvolvimento da sociedade. Mas penso que um jovem não se deve meter na política, porque, na Guiné, a política é muito difícil.”

Djibril Candé – professor de Biologia:
“A política deve facilitar a vida das pessoas, nomeadamente no desempenho das suas funções. Mas, na Guiné, as pessoas não compreendem o que é a política. É por isso que quem entra na política dizendo a verdade acaba por se dar mal.
Os jovens devem intervir conscientemente na manutenção da paz e reconciliação do país. Claro que o nível de escolaridade das pessoas influencia muito as suas escolhas, se analisarmos o facto de quase trinta por cento dos votos serem nulos, percebemos que isso acontece porque as pessoas não sabem ler.”


João da Silva Cá – professor de Matemática :
“A política, na antiga Grécia, tinha como objectivo original organizar e construir um país em prol do desenvolvimento do povo. Neste contexto tem grande importância.
Infelizmente, na Guiné-Bissau, os sistemas políticos que temos tido nestes últimos séculos não são sistemas políticos propriamente ditos. Actualmente, vemos muitos altos cargos do Estado a serem ocupados por analfabetos, enquanto os intelectuais que estudaram ficam de fora. Esta é uma realidade absurda, se tivermos em conta que o objectivo é desenvolver e organizar um Estado. O maior problema que se verifica na Guiné é o elevado nível de pobreza, de modo que parece não existir consciência nas pessoas. Com tão grandes dificuldades na vida é muito fácil uma pessoa ser manipulada, de forma injusta. A camada juvenil tem um papel muito importante a desempenhar na política, no sentido de mudar a mentalidade dos governantes, de alertar para os seus direitos, de construir e desenvolver o país em prol do bem-estar comum.”

Gueri Gomes Lopes – estudante no 3º Ano de Administração:
“Creio que a política tem grande importância para um país e para a sociedade em geral, na medida que só através dela podemos desenvolver esse mesmo país ou sociedade. Se não for entendida a razão da sua existência, a política traz sempre confusão entre os grupos activamente implicados, acabando por prejudicar quem deveria beneficiar dela.
Os jovens devem ter um papel relevante, na medida que devem sensibilizar a família e a comunidade para que não façam as suas escolhas por engano.
O nível da escolaridade influencia muito as escolhas da população, na medida em que permite avaliar um projecto de um determinado político. Quando as pessoas têm baixos índices de escolaridade, muitas vezes baseiam as suas escolhas em critérios de etnia, parentesco ou amizade.”

Texto de: Dauda Pires
Entrevistas feitas por: Josefa Bassim, Midana Sampa, Justino Ampanail,
Ocante António Ié, Telesfora Salvador, Justino Yé e Abrão Nanque

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Caracterização do Liceu

Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha

O Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha começou por ser uma dependência do Liceu Dr. Agostinho Neto. No entanto, dada a sua dimensão, em 2004 tornou-se independente deste último, tendo adquirido o seu actual nome. Por sua vez, a inauguração oficial teve lugar no dia 13 de Agosto de 2005 e ficou a cargo de Sua Excelência o Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior.

Dr. Rui Barcelos da Cunha foi homenageado tornando-se patrono do liceu pelo importante papel que teve no sector da Educação, nomeadamente enquanto primeiro Director-Geral do INDE.
Desde a sua inauguração, foram quatro os directores do Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha. Neste momento, a equipa da direcção é liderada por Mário Júlio Benante, que assumiu o cargo de director no dia 26 de Setembro de 2008.

Sala de professores
O Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha dispõe de uma sala de professores, local de encontro e de troca de experiências dos 170 docentes a leccionar actualmente nesta instituição escolar. Além deles, o liceu conta com o empenho de 19 elementos de pessoal administrativo.

Salas de Aula

Actualmente, o Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha é um dos maiores do país, tendo a seu cargo o ensino de 6560 alunos da 7ª à 11ªclasses, distribuídos pelas 41 salas, que funcionam em 4 turnos. Neste momento, existem, na escola, 44 turmas da 7ªclasse, 35 da 8ªclasse, 28 da 9ªclasse, 30 da 10ªclasse e 27 da 11ªclasse.
As antigas salas de querintim deram recentemente lugar a quatro novos pavilhões, cuja construção teve início em 2005. Os novos edifícios são motivo de orgulho para toda a comunidade escolar, pois estes foram erguidos com o dinheiro das propinas pagas pelos pais dos alunos da escola, empenhados em contribuir para que os seus filhos tenham um ensino de qualidade num espaço condigno.

Escola Limpa


A escola é um espaço privilegiado de transmissão de valores e de princípios de cidadania. Como tal, no ano lectivo de 2008/2009, a direcção, a Oficina em Língua Portuguesa, os professores e os alunos do Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha abraçaram a causa “Escola Limpa” e todos têm trabalhado em prol de uma escola melhor, de uma escola sem lixo e, portanto, mais limpa.
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Oficina em Língua Portuguesa

Desde o ano lectivo de 2001/2002 que o nosso liceu, na altura ainda integrado no Liceu Dr. Agostinho Neto, tem ao seu dispor uma Oficina em Língua Portuguesa. Aqui alunos e professores podem divertir-se em Português e fazer as suas pesquisas, sempre com o apoio dos colaboradores e dos professores do PASEG, projecto da Cooperação Portuguesa responsável por este espaço escolar.

Sala de Formação

No presente ano lectivo, a direcção do liceu cedeu ao PASEG mais uma sala. Esta foi reabilitada e é aqui que, agora, os docentes recebem formação no âmbito das suas práticas pedagógicas, nos GAP (Grupos de Apoio Pedagógico), e de aperfeiçoamento de competências linguísticas, nos CAP (Cursos de Aperfeiçoamento de Português).

Também no domínio da Informática, o PASEG tem dado um importante contributo com os seus cursos, dirigidos tanto a alunos como a professores.
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Direcção do liceu
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Por: Ana Sofia Morgado (Professora do PASEG)
e Mário Júlio Banante (Director do Liceu)

terça-feira, 7 de abril de 2009

4º Aniversário do Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha

No passado sábado, dia 04 de Abril de 2009, comemorou-se o 4º aniversário do Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha.
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Foto 1: Entoação do hino nacional e hastear da bandeira.
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Foto 2: Intervenção de vários elementos da comunidade escolar e educativa, na voz de um encarregado de educação, do novo presidente da Associação de Estudantes, de um familiar do patrono do liceu, do presidente da Comissão Organizadora, do presidente da CONAEGUIB, de um representante sindical, de um professor do PASEG, do Director do liceu e do actual Secretário de Estado da Educação.
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Foto 3: Visita do Secretário de Estado da Educação à Oficina em Língua Portuguesa e à Sala de Formação.
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Foto 4: Cocktail de recepção aos convidados.
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Fotos 5 e 6: Alguns elementos docentes femininos…
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Fotos 7 e 8: Alguns elementos docentes masculinos…
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Foto 9: … fotografia de grupo!
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A festa prolongou-se até ao final do dia, com a apresentação de diversas actividades por parte dos alunos: recitação de poesia, dança, play-back e eleição da miss do liceu...
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Fotos 1 a 4, 7 e 8: Susana Fonseca;
Fotos 5 e 6: Élio Santos;
Foto 9: Dauda Pires

segunda-feira, 9 de março de 2009

Cidadania

Escola limpa:
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limpeza e manutenção do recinto escolar
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Como forma de sensibilização, professores e alunos ocuparam-se, durante uma semana, da limpeza do recinto escolar. Para o efeito, usaram-se as aulas de Educação Física.
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A partir desta actividade, organizou-se e calendarizou-se a limpeza diária do recinto escolar para todo o ano lectivo, em sistema de rotatividade. Caberá a cada turma, uma vez por mês, a limpeza do recinto durante uma aula de Educação Física. A limpeza das salas de aula e restantes instalações continua a cargo dos funcionários da escola.
Uma vez que ainda não é possível a recolha dos resíduos, por parte da Câmara Municipal ou outra entidade competente, cabe aos funcionários da escola a queima do lixo num local afastado das salas.

A direcção da escola adquiriu caixotes do lixo e uma mangueira para reabilitação dos espaços verdes. Com a ajuda de alguns alunos da 8ª e 11ª classe, procedeu-se à pintura dos caixotes.

Susana Fonseca

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Cidadania

Experiências de reutilização de Materiais II
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No dia 12 de Fevereiro de 2009, realizou-se na Oficina em Língua Portuguesa do Liceu Rui B. Cunha um atelier de reutilização de materiais, alusivo ao Dia dos Namorados.
No início da actividade, a professora Susana Fonseca explicou aos alunos os objectivos do atelier e da reutilização do lixo: cada participante deveria criar um presente para oferecer ao namorado ou namorada, sem gastar dinheiro e utilizando exclusivamente materiais “inutilizados”. Entre estes materiais encontravam-se, por exemplo, restos de papéis e cartões, pacotes de leite vazios, restos de tecidos, caixas inutilizadas (de medicamentos, bolachas, etc.) ou latas de refrigerantes.
Quanto aos restos de cartões coloridos, muito usados pelos alunos nos seus trabalhos, a professora Ana Sofia Morgado explicou onde poderiam ser encontrados. As gráficas da cidade colocam diariamente no lixo restos de cartões e papéis, que podem ser recolhidos por qualquer interessado.
Nelida Nanque, uma das alunas que participou nesta actividade, considera que este tipo de iniciativa deveria decorrer mais vezes. Ficou muito contente por poder oferecer um presente ao namorado, reaproveitando materiais como cartões inutilizados, teclas velhas de computadores e pedaços de uma lata de refrigerante. Paluxo Ié, outro participante, diz-nos que é importante passar a ideia de que é possível fazer coisas bonitas reutilizando materiais, sem gastar dinheiro.
O atelier de reutilização de materiais decorreu durante todo o dia 12 de Fevereiro. No dia 13 foram divulgados os vencedores, que levaram para casa uma capa e um caderno.

Por: Dauda Pires

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O papel das mulheres na sociedade guineense

Porque é que as mulheres “desistem” mais facilmente dos estudos?
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No dia 30 de Janeiro, data da morte da combatente Titina Silá, comemora-se o Dia Nacional da Mulher Guineense. Está é uma data que pode servir para pensarmos sobre o papel da mulher na sociedade guineense e para reflectirmos sobre os motivos que estão por trás de algumas situações de desigualdade de género no nosso país. Podemos perguntar, por exemplo, por que motivo há mais raparigas do que rapazes a desistirem da escola? Para respondermos a esta questão, falámos com algumas mulheres que trabalham perto do nosso liceu. No entanto, e para além das experiências pessoais destas mulheres, há outras questões que também devem ser abordadas, pelo que entrevistámos duas mulheres de destaque na defesa dos direitos da mulher guineense: Urcelina Gomes, presidente do Instituto da Mulher e Criança e Fernanda Pinto Cardoso, jornalista*.
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Rosa Joaquim tem 39 anos, é vendedora de sandes e doces em frente ao Liceu Dr. Rui B. da Cunha, no qual é também funcionária de limpeza. Concluiu a 4ª classe, mas não pôde prosseguir os estudos porque segundo os homens grandes da tabanca Patchi Iala, onde cresceu, as mulheres que estudavam não poderiam ser boas mulheres, pois não iriam obedecer aos maridos nem dar valor aos trabalhos domésticos e à lavoura. Aos treze anos os pais deram-na em casamento a um tio. Na altura tinha outro namorado, mas desistiu dele e decidiu aceitar o casamento forçado porque não queria ficar sem ninguém nem ser rejeitada pela família.
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Aissatu Baldé também é vendedora, tem 25 anos e é a primeira mulher do seu marido. O pai morreu quando era pequena, por isso foi educada pela mãe e pelos tios, que a proibiram de ir à escola. Nunca estudou, apesar de o ter pedido várias vezes. Aos doze anos foi dada em casamento. Na altura vivia em Mansoa e conseguiu refugiar-se em casa de uma tia, em Gabú, durante um ano. Os tios foram buscá-la com treze anos, fizeram-lhe a djanfa e levaram-na ao muro (feiticeiro), que conseguiu convencê-la a casar. Tem dois filhos e quer que eles estudem sem problemas e que aprendam muitas coisas.

Filomena Moreira tem 34 anos e é professora no Liceu Rui Cunha. Formou-se em História e Geografia, mas é com alguma tristeza que lembra o ano em que teve que suspender os estudos, na 9ªclasse, com 17 anos, porque ficou grávida. Não era permitido a uma menina grávida frequentar a escola durante o dia, só à noite. Apesar disso, Filomena não considera que factores religiosos ou culturais, como a sua etnia, tenham definido o seu percurso de vida, mas sim a sua força de vontade.

Augusta Té é funcionária num liceu de Bissau, tem 40 anos e nunca foi à escola. Os pais não a autorizaram a ir à escola e reservaram-lhe um casamento tradicional, com um homem 30 anos mais velho do que ela. Resignou-se à sua sorte e teve sete filhos, um dos quais já faleceu. Entretanto o marido morreu e voltou a casar com outro homem, desta vez à sua escolha.

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Dauda Pires, Telésfora Salvador, Midana Sampa,
João Gomes, Josefa Bassim, Justino Ié
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*Entrevistas publicadas em primeira mão no jornal Nô Pintcha, em 30 de Janeiro de 2009, por ocasião do Dia Nacional da Mulher Guineense

Jornalista Fernanda Pinto Cardoso

Jornalista Fernanda Pinto Cardoso
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Fernanda Pinto Cardoso nasceu em Bissau a 26 de Maio de 1964. Licenciou-se em Jornalismo Internacional em Moscovo e estagiou no CENJOR (Centro de Formação para Jornalistas) em Lisboa. É um dos rostos da Televisão da Guiné-Bissau (TGB), que dá a conhecer aos guineenses as principais notícias nacionais e internacionais da actualidade.

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A: Considera que na Guiné-Bissau existe igualdade entre homens e mulheres?
FC: A mulher guineense tem um grande caminho a percorrer para acabar com a desigualdade de género. A nível político, por exemplo, em termos de lugares de decisão há várias situações que podemos apresentar como deficitárias no que respeita à representatividade feminina, como o caso da Assembleia Popular. Também ao nível da formação do governo, em cerca de 20 ministérios geralmente contamos com 5 mulheres, o que deixa claro o desequilíbrio entre a representatividade feminina e masculina.
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A: Porque é que, na sua opinião, não há mais mulheres a desempenhar cargos de decisão?
FC: Os cargos políticos são definidos politicamente. Na minha opinião são os próprios partidos políticos que não estão a dar importância às mulheres, pois não incluem essa questão nos seus estatutos. Outro problema relevante são as lacunas ao nível da escolarização das mulheres. Há uma grande percentagem de analfabetismo feminino na Guiné-Bissau. Este factor impede a igualdade de circunstâncias entre homens e mulheres.
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A: Que motivos podem ser apontados para o facto de as raparigas desistirem mais facilmente dos estudos que os rapazes?
FC: As raparigas desistem mais facilmente dos estudos do que os rapazes. Isto está relacionado com várias questões, como a zona de residência, a etnia ou a religião das famílias. A Guiné é um país rico em termos de diversidade étnica, cultural e religiosa. Cada etnia tem as suas regras e há etnias que dão preferência aos rapazes. A própria localização da escola fica muitas vezes longe da tabanca, pelo que os pais se inibem de deixarem as filhas frequentar a escola. Por outro lado, em termos de lides domésticas, é tradição as raparigas ocuparem-se destas funções. Mas tem-se feito um trabalho de sensibilização junto dos pais e tem-se visto a questão das acessibilidades para a escola. Em termos de parcerias internacionais, o papel do Programa Alimentar Mundial, por exemplo, também tem sido importante, nomeadamente com o incentivo das cantinas escolares, tanto para as raparigas como para os rapazes e até aos pais. O objectivo é diminuir o abandono escolar.
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A: Existem mulheres de referência na Guiné-Bissau e em África?
FC: Apesar do analfabetismo feminino generalizado, também temos casos de mulheres líderes na Guiné-Bissau, que deram provas de grande capacidade. Cármen Pereira foi presidente da Assembleia Nacional Popular, Filomena Tipot foi Ministra das Forças Armadas, ambos lugares tradicionalmente desempenhados por homens. Ao nível de África, podemos também referenciar a Presidente da República da Libéria, que é mulher. Fora da Política, em termos empresariais, na saúde e ensino, também há outras mulheres podem fazer algo pelo país se tiverem oportunidade.
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A: O que é que pode ser feito para aumentar a representatividade feminina em cargos de decisão?
FC: Primeiramente é preciso que os partidos mudem os seus estatutos internos, de forma a privilegiar a igualdade e equidade no seio do partido. A Plataforma Política da Mulher tem vindo a reivindicar esta mudança. Esta plataforma é um grupo criado por mulheres parlamentares da CPLP, da UEMOA, da própria sociedade civil e dos partidos políticos, com o objectivo de fazer pressão junto dos próprios partidos políticos e de promover a mulher em diversas áreas. Por exemplo, durante o período eleitoral a Plataforma tentou exigir a obrigatoriedade de uma quota de 40% de mulheres nas listas de candidatos a líderes da nação. Infelizmente nãotivemos o resultado que queríamos, mas a Plataforma não se desencoraja perante estas dificuldades, porque ainda há um longo caminho a percorrer. Tentamos fazer lobby para a inclusão de mais mulheres nos cargos de decisão.
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A: Como se sente quando uma mulher é chamada a desempenhar um cargo?
FC: É um orgulho quando uma mulher é chamada a desempenhar um cargo político, sobretudo quando estamos perante uma mulher à altura do cargo. Porque também é bom dar o cargo a quem o merece. Não se trata só de dar oportunidades às mulheres, mas sim de dar oportunidades às mulheres que as merecem.
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A: Na comunicação social é posta em prática a igualdade entre homens e mulheres?
FC: Na TGB, por exemplo, somos poucas mulheres, embora tentemos criar espaços para dar voz e incluir as mulheres. Mas realmente não existe um grupo de género dentro da comunicação social. Há um trabalho a fazer nesse sentido, até porque a maioria dos jornalistas guineenses são homens. Isto nota-se ao nível dos altos cargos da comunicação social e também até no próprio tipo de reportagens publicadas.
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A: Existe algum apelo que seja importante fazer passar relativamente a este tema?
FC: Existe um documento internacional, ratificado pela Guiné-Bissau, que é a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, o qual diz tudo sobre os direitos da mulher. É preciso pôr esse documento em prática, aplicar esta convenção. Neste momento, faço um apelo ao Estado da Guiné-Bissau para fazer aplicar esse documento. Quando isso acontecer, quando esse documento for posto em prática, então os direitos das mulheres serão respeitados.
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Telésfora Salvador, Midana Sampa, Josefa Bassim, Ocante Ié

Urcelina Gama Gomes - presidente do IMC

Urcelina Gama Gomes, presidente do Instituto da Mulher e Criança

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Urcelina Gomes nasceu em Bissau a 12 de Março de 1966. É jurista de profissão e está há quatro anos no Instituto da Mulher e Criança. Também gosta de moda e, nos tempos livres, é estilista.

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A: Qual é a razão do aparecimento do Instituto da Mulher e Criança?
UG: Havia necessidade de criar uma instituição, por parte do Estado, que tratasse de todos os assuntos da mulher e da criança. Por isso foi fundado este instituto em Fevereiro de 2000. O papel do instituto é fazer respeitar os direitos das mulheres e das crianças na sociedade guineense.

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A: Como é que protegem os direitos das mulheres?
UG: A melhor forma de proteger a mulher e a própria criança é ensinar-lhes a conhecerem os seus direitos e deveres e como é que devem protegê-los.

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A: É possível fazer-nos uma caracterização da mulher na sociedade guineense?
UG: A mulher guineense é batalhadora e, ao mesmo tempo, sofredora e triste. A pobreza é a principal causa deste sofrimento e tristeza.

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A: São as mulheres que procuram a instituição ou é a instituição que vai ao encontro das mulheres?
UG: Algumas mulheres procuram a instituição, mas muitas vezes é o instituto que vai ao encontro das mulheres depois de uma denúncia. Apoiamos no caso de violações e fazemos o encaminhamento desses casos para a justiça. Também actuamos no apoio à maternidade.

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A: No caso das mulheres que procuram a instituição, quais são as razões mais frequentes que as levam a dar esse passo?
UG: É a violência doméstica. A maior parte dos acompanhamentos que fazemos estão relacionados com os desentendimentos entre homem e mulher. Fazemos um trabalho de mediação, baseado no diálogo e na sensibilização. Por outro lado, também temos uma grande preocupação com a violência contra as crianças. Há casos de crianças violadas e espancadas. Tivemos um caso há pouco tempo de uma criança que foi espancada por causa de mil francos.

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A: Quais são as dificuldades que a instituição encontra?
UG: Às vezes há resistência e somos obrigados a ser acompanhados pela polícia, porque o nosso papel não é fazer a justiça mas sim orientar tanto o homem como a mulher. Por parte das mulheres, o instituto é bem acolhido. Às vezes as mulheres sofrem em silêncio há muitos anos e aproveitam a oportunidade para exteriorizarem e até resolverem os seus problemas. A maior parte das mulheres tem interiorizado o princípio de que tem que sofrer no casamento para criar bem os seus filhos. São educadas para sofrer. Esta mentalidade está muito longe de ser mudada. Preocupamo-nos em estar presentes e em apoiar. Sabemos que, apesar de haver um longo caminho a percorrer, não podemos agir a qualquer custo e correr o risco de perdermos a confiança conquistada. Não queremos que o instituto seja visto como estando a orientar mal as mulheres, tem que ser um trabalho contínuo.

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A:A mudança de mentalidades passa pela educação, mas a Guiné-Bissau tem uma elevada taxa de analfabetismo e de abandono escolar feminino. Qual é a razão deste fenómeno?
UG: As raparigas desistem mais facilmente dos estudos porque são obrigadas a dedicar-se às tarefas domésticas. Muitas raparigas são levadas para o casamento aos doze ou catorze anos e muitas vezes já foram dadas em casamento à nascença. Há etnias em que é tradição reservar uma filha para o tio. As pessoas alegam que é uma questão de cultura e tradição e que não se pode ir contra estas práticas. O nosso objectivo é mudar esta mentalidade, mas é um trabalho árduo e que não tem resultados de um dia para o outro.

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A: Sente que o balanço do vosso trabalho é positivo?
UG: Já conquistámos muitos aspectos positivos. Sentimos que há sempre algum sucesso na nossa intervenção, sem que haja qualquer violência porque a violência não resolve nada. Procuramos incutir o princípio da calma e do respeito.

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A: Para finalizar, há algum caso que nos queira relatar? Como é que o instituto ajudou a resolver a questão?
Tivemos um caso curioso, em que um homem deixou a mulher, não queria deixá-la ficar com o filho e passava em frente da sua casa na companhia da segunda mulher. A primeira mulher veio ter connosco e nós decidimos chamar o marido, que nos disse que já não amava a mulher. Dissemos ao marido que tinha esse direito mas que procurasse agir de uma forma mais respeitosa, o que o fez reflectir e mudar de atitude. Conclusão… mais tarde acabaram por ficar juntos novamente e às vezes vêm visitar-nos.
Há ainda outra questão delicada na Guiné, que é a questão da mutilação genital feminina. Temos aqui uma pessoa, que trabalha connosco, que já passou pelo mesmo e por isso consegue fazer um trabalho de sensibilização mais eficaz, porque faz parte dessa cultura e consegue ultrapassar o secretismo que envolve estas práticas.

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Djamila Vieira, Abraão Nanque, Mário Albino Ié

Homens-lobo e outros mitos

A mitologa grega conta-nos a história de um rei cruel, chamado Licaon. Zeus, o deus dos deuses, teria ouvido falar dos horrores causados por tal homem e decidiu investigar o que realmente se passava. Licaon recebeu Zeus e, pensando que não seria um verdadeiro deus, deu-lhe a comer carne humana. Mas Zeus, reconhecendo-lhe a malvadez, manifestou a sua ira. Licaon, vendo que afinal estava perante um verdadeiro deus, fugiu para o campo. Como castigo de Zeus, Licaon começou lentamente a sofrer uma transformação em homem-lobo.*
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Imagem retirada da Internet

À semelhança do que acontece com o mito grego de Licaon, um pouco por todo o mundo diferentes culturas têm no seu imaginário histórias sobre homens que se transformam em animais. Na Europa e na América, ouvem-se as histórias dos famosos “lobisomens”, na Ásia ouvem-se as histórias dos homens-tigre e em África dos homens-hiena. Na Guiné-Bissau, são comuns as histórias de homens que se transformam em hienas - geralmente designadas lobos - ou de hienas que se transformam em homens.
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Há relatos de que, numa tabanca em Susana, na região de Varela, uma célebre djambacós (feiticeira) foi, um dia, visitada por homens-lobo. Era noite e havia uma fogueira. Eram neste caso lobos disfarçados de homens, cobertos com mantos, muito embora a sua fala distorcida e os seus pés peludos não tivessem enganado a mulher nem as crianças escondidas dentro da moransa. Os homens-lobo encomendaram uma cerimónia e, depois de realizado o processo, deixaram o “agradecimento” num saco que continha nada mais que um conjunto de ossos de outros animais, em vez do habitual óleo de palma ou arroz tipicamente ofertado por seres humanos. Poucos minutos depois de se afastarem, ouviram-se os uivos das feras. Ora, neste curioso relato parecem estar equilibradas as forças entre estes seres sobrenaturais e os seres humanos, estando estes protegidos pela acção da djambacós, parece até haver uma espécie de troca de favores ou, pelo menos, uma convivência pacífica. O mesmo não acontece noutras versões, segundo as quais esses homens-lobo são eles próprios feiticeiros. Nestes casos, os homens feiticeiros escolhem a floresta e a noite para se transformarem. Transformam-se quando têm um determinado objectivo, como por exemplo roubar um espírito que lhes agrade. Se o feiticeiro conhecer uma criança ou jovem com um bom espírito, transforma-se em lobo para a poder matar e passar esse espírito a um mulher grávida da sua preferência, geralmente sua filha ou sobrinha. Depois dessa cerimónia, nascerá uma criança com o espírito bom das vítimas. Os feiticeiros podem também transformar-se em lobos sem qualquer intuito de beneficiar alguém, agindo apenas por inveja ou vingança.
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Para além das histórias sobre os homens-lobo, existem relatos sobre seres humanos transformados em crocodilos - geralmente designados lagartos. Devido à necessidade que têm de estar perto de água, os homens-lagarto podem ser reconhecidos desde muito cedo e, por isso, têm que ter cuidados especiais para se protegerem. As mães das crianças-lagarto têm que ter sempre o cuidado de ter uma bacia com água em casa, porque, durante a noite, as crianças-lagarto precisam de nadar para chamar o sono. Por outro lado, quando crescem o seu poder é enorme e os seus instintos de vingança são apurados, especialmente em relação aos rapazes que os apedrejavam quando eram pequenos e estavam transformados, pensando que eram verdadeiros lagartos e não seres humanos. Diz-se que os homens-lobo nascem no seio dos balantas de Nhacra, enquanto que os homens-lagarto são balantas de Cuntoe…
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Há muitos anos atrás, na zona que é hoje o bairro do Quelelé, havia uma bonita lagoa rodeada de areia branca. Perto da lagoa, as bolanhas tinham plantações da cana-de-açúcar, nas quais morava uma terrível serpente de um só olho, que se transformava em gente, em vento e em vários animais. Devido ao seu poder de transformação, só os feiticeiros a podiam reconhecer, passando despercebida à maior parte das pessoas. Naquela época não havia facilidade de transporte, pelo que se faziam grandes caminhadas a pé. Para além disso, a estrada que liga Prábis ao Bandim não era alcatroada, o que fazia com que as pessoas chegassem à cidade empoeiradas, a precisar de tomar banho e trocar de roupa. Quando as mães se aproximavam da lagoa com as crianças para tomar banho, logo aparecia a serpente em forma de vento. Entoava três vezes o som cuk, cuk, cuk, e voava com a criança para dentro daquela plantação de cana-de-açúcar. As mães ficavam a chorar sem recuperar as crianças.
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Através da transformação homem-animal, estes relatos parecem evocar um plano sobrenatural e primitivo, no qual alguns seres humanos (os feiticeiros) descobrem dons e poderes, enquanto outros homens se sentem aterrorizados. Nesse plano primitivo e sobrenatural estará, talvez, a origem do mal, do poder, do medo, da inveja e da vingança humanas, que se mostram como algo instintivo e incontrolável. Pelo receio de estarem a evocar esse plano, as testemunhas destas histórias não quiseram identificar-se ou deixar-se fotografar, evitando despertar contra si próprios essas maldições. .


Relatos recolhidos por Djamila Vieira, Justino Ampanil, Ocante Yé, Abrão Nanque
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* Do nome da personagem principal deste mito grego surgiu a palavra “licantropia”, que designa a maldição de um homem que se transforma em lobo. Designa também os sintomas psicológicos sentidos por indivíduos que acreditam transformar-se em lobos.

Cidadania

Experiências de reutilização de materiais
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Fotografias: Peças criadas pelos alunos do Liceu Nacional no curso de reutilização de materiais

No dia 10 de Dezembro foi apresentada ao público, no Liceu Nacional, uma exposição de várias peças criadas por alunos a partir de materiais inutilizados. Estes materiais eram constituídos principalmente por peças de computadores avariados e velhos. A ideia foi dada pela professora Carina Rodrigues e logo se iniciou a pesquisa sobre o tema na Internet. Ao mesmo tempo que iam sendo criadas as peças, os alunos tiveram outra componente do curso que foi a criação de uma fotonovela sobre o tema da higiene e limpeza, a qual foi também apresentada na exposição. Para a professora Virgínia Marques, uma das responsáveis pela organização da exposição, “o principal objectivo é que as pessoas sejam sensibilizadas para a necessidade de zelar pela higiene e limpeza dos espaços e também para ideia da reutilização do lixo”. Com o mesmo intuito, foi apresentada a conferência “Os três R’s”, pela professora Cláudia Vieira, referindo-se à Redução, Reciclagem e Reutilização.

Fotografia: Fotonovela "Escola Limpa"

No mesmo dia em que decorreu a exposição, foi apresentada a peça de teatro “Escola Limpa”, pois, na opinião do professor Joaquim Bessa, esta abordagem do tema, feita de um modo divertido através da arte dramática, é a melhor forma de sensibilizar as pessoas para os problemas que surgem do tratamento inadequado do lixo ou da ausência de limpeza. Para quem se questiona sobre como é que o lixo pode ser tema para a arte, este professor responde que “a arte está em tudo, é uma questão de espírito”.

“Por uma Escola Melhor” é o lema de um clube de alunos que se formou no Liceu Dr. Agostinho Neto, ainda no primeiro período. Com a ajuda da professora Isabel Correia, estes alunos recuperaram bancos envelhecidos, carteiras e latas velhas (para caixotes do lixo) e colocaram-nos no recinto escolar. Contaram com a ajuda da direcção da escola, que chamou um carpinteiro e depois iniciaram a pintura dos materiais recuperados, usando restos de tinta.


Fotografias: Alguns elementos do clube "Por uma escola Melhor"


Dauda Pires e Justino Ampanil