Mostrar mensagens com a etiqueta Entrevista de Rua. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Entrevista de Rua. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Qual é a importância do Desporto?

Rui Nassalam – professor de Educação Física:
Rui Nassalam tem 36 anos e é coordenador e professor de Educação Física no Liceu Dr. Rui B. da Cunha desde 2001. Defende que “o desporto é muito importante porque nos permite descobrir e desenvolver o nosso potencial. Ajuda-nos a preparar o nosso organismo e a harmonizar o corpo e a mente”. No entanto, considera que a disciplina que lecciona enfrenta muitas dificuldades, devido à falta de materiais e de espaços apropriados para o desporto. Para além destas dificuldades, confessa que muitos alunos não compreendem a função das aulas de Educação Física e recorrem demasiado a atestados médicos, em vez de se empenharem nesta disciplina como em qualquer outra. Para finalizar, aponta para o importante papel da Educação Física, que “permite desenvolver a disciplina pessoal e o espírito de companheirismo”.

Salimatu Djaló – aluna da 7ª classe no Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha
O desporto é muito importante porque, se não o praticarmos, envelhecemos mais cedo. Na escola podemos aprender a fazer desporto da melhor forma, por isso devemos aplicar-nos na disciplina de Educação Física. Para além disso, é uma disciplina com a qual podemos reprovar de ano, caso tenhamos negativa.

Joel José da Silva – aluno da 7ª classe no liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha
Gosto de desporto, tanto na escola como na rua, a jogar com os meus amigos. Com treino, consigo jogar com mais facilidade e com o corpo muito leve, por isso é que a disciplina de Educação Física é muito importante para mim.

Amadú Seidi – futebolista:

Para Amadú Seidi, nascido a 29 de Julho de 1987, o desporto é uma paixão. Actualmente é médio ofensivo e capitão do Sporting Clube de Bissau. Começou a sua carreira desportiva em 2002/2003 na UDIB (União Desportiva Internacional de Bissau). Em 2003/2004 começou a jogar no Porto de Bissau, onde foi considerado o melhor médio, até 2004/2005. Devido a uma lesão no braço, ficou sem jogar durante uma época, apesar de ter continuado a praticar Futsal no bairro de Belém. De 2006 a 2008 jogou no Futebol Clube de Bolama e joga actualmente, desde 2008, no Futebol Clube de Bissau. Orgulha-se de já ter conquistado vários campeonatos, por exemplo contra a equipa de Nema e de Diner (em Gabú) ou contra a equipa de Barcelona de Afia (em Bissau). Considera que o maior desafio na sua carreira foi jogar com a selecção de Angola nos Jogos da Lusofonia (Brasil) e, mais recentemente, conquistar o título de campeão nacional pela UDIB. Confessa sentir-se mais motivado e com mais energia quando está a ganhar do que quando está a perder, apesar de se esforçar em qualquer circunstância. Reconhece que é difícil ser-se desportista na Guiné-Bissau e desabafa: “tentamos por gosto”. A paixão pelo futebol levou-o a abandonar a escola quando frequentava a 8ª classe, mas pretende voltar a estudar.

Por: Mário Ié, Dauda Pires, Djamila Vieira, Ocante Ié

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Queremos ir à escola!

Na passada quarta-feira, 29 de Abril de 2009, realizou-se uma manifestação / vigília de alunos, na sede da CONAEGUIB (Confederação das Associações de Estudantes da Guiné-Bissau), à entrada da Escola Básica Salvador Allende. Entre as 08h00 da manhã e as 12h00, reuniram-se alunos de diferentes liceus, que, ao mesmo tempo que seguravam velas acesas, proferiam as seguintes palavras de ordem, alternadamente em Português e Crioulo:

No misti bai escola, suma nos vizinhos! Bo paga no pursor!

Queremos ir à escola, como os nossos (países) vizinhos! Paguem aos nossos professores!
. .Questionámos alguns dos manifestantes sobre o que esperavam conseguir com esta vigília:
.
“Queremos manifestar o nosso descontentamento para que algo seja feito, de forma a haver aulas no futuro. Queremos aprender para podermos dar a nossa contribuição para o país. Os próprios ministros não poderiam ser ministros sem terem ido à escola. Julgo que os nossos governantes não ficarão indiferentes à nossa tristeza.” Midana Na Bidante (aluno da 8ª classe do Liceu Nacional Kwame N’Krumah)


“Estou a participar nesta manifestação porque precisamos das aulas. Queremos que o Governo assuma as suas responsabilidades perante os professores.” Patrícia Caetano de Pina (aluna da 7ª Classe do Liceu Dr. Rui B. Cunha)


“Devido às sucessivas greves nas escolas públicas, nós não temos aulas. Se pagarem aos professores, as coisas vão mudar”. Antonieta Gomes Có (aluna da 7ª classe do Liceu Samora Moisés Machel)


“Não pagaram aos professores, é por isso que alguns alunos não têm escola. No misti bai escola (Queremos ir à escola).” Panutche Cote (aluno da 5ª classe da escola Salvador Allende)

“Esta manifestação significa que de modo algum nos podemos conformar com esta situação. Pode ser que, com esta manifestação, alguém tente solucionar o nosso problema. Pode ser que o Governo pague aos nossos professores para garantir um melhor funcionamento das aulas.” Quintino Binante (aluno da 8ª classe do Liceu Dr. Agostinho Neto)
.
Por: Ocante Ié; Mário Ié; Telésfora salvador; Abrão Nanque; Justino Ampanail

sexta-feira, 24 de abril de 2009

2 5 de Abril

Nas salas de aula e no recinto escolar do liceu é evidente a ausência de professores e alunos, que boicotam as aulas devido aos sucessivos atrasos no pagamento de salários aos professores do ensino secundário.
Ainda assim, conseguimos entrevistar, ao longo da semana, alguns elementos da comunidade escolar.

1 – Sabe explicar-nos o que se comemora no dia 25 de Abril em Portugal?
2 – Acha que o 25 de Abril interferiu na história da Guiné-Bissau? Se sim, em que medida?
3 – Este acontecimento tem hoje algum significado para si?
4 – Que relação existe actualmente entre Portugal e a Guiné-Bissau?
.

Jonas Bacorim - professor e coordenador de História:

“Sei pouco sobre esta data, mas associo-a ao fim da luta pela libertação da Guiné-Bissau. Nesta data deu-se a independência da Guiné e dos restantes países colonizados por Portugal.
Se hoje estamos aqui como um país reconhecidamente independente, foi graças ao 25 de Abril. Quando chegaram aqui as notícias sobre o 25 de Abril, tomou-se consciência de que era o fim da guerra. Nessa altura, alguns cidadãos guineenses não queriam nada do que era português. Hoje reconhecemos que a língua portuguesa é fundamental para o país, por um lado porque nos diferencia dos países vizinhos e, por outro lado, porque nos dá acesso ao conhecimento, o que não acontece com o crioulo.
Graças à relação histórica entre Portugal e a Guiné-Bissau, é possível usufruir da Cooperação Portuguesa na área educativa, por exemplo com a formação dada pelo PASEG ao nível pedagógico, científico e informático.”



Mário Júlio Benante - director do liceu:

“Sobre o 25 de Abril, sei que se comemora em Portugal o fim de um longo regime ditatorial. O 25 de Abril definiu também o fim da colonização na Guiné-Bissau.
Independentemente de questões políticas ou profissionais, esta data tem um significado pessoal para mim, pelas relações próximas que tenho com alguns portugueses e com a comunidade portuguesa. Estou solidário com os cidadãos portugueses, que julgo deverem aproveitar esta ocasião para reflectir sobre os acontecimentos da altura e respectivas conquistas.
Apesar desta circunstância histórica, que foi a colonização, ficou o espírito de cooperação entre os dois países. ”
.

Alunos do ensino secundário complementar:

Para este grupo de alunos, o dia 25 de Abril terá algum significado em Portugal, mas não sabem bem explicar qual... Depois de referirmos o 25 de Abril como o fim de uma ditadura em Portugal e como o fim da colonização, os alunos declararam reconhecer o assunto. Valdo, aluno da 10ª classe, defende que “a língua portuguesa é a maior marca da relação entre Portugal e a Guiné, sendo importante porque é a mesma língua que se fala noutros países, como Cabo Verde, Angola, Brasil ou Moçambique.”
.
Por. Domingos; Justino Ampanail; Justino Yé

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O que significa para ti o "Dia dos Namorados"?

.
Neto António Maculino acha o dia dos namorados “um dia muito interessante para o casal, já que é um momento em que se podem preparar surpresas um para o outro”. Da sua parte “já tem tudo preparado: um envelope fechado, uma fotografia e um anel”. Resta saber o que está dentro do envelope, mas isso será uma surpresa…
.
.
Para Ana Cá, o dia dos namorados é muito especial porque é uma oportunidade “para lembrar a felicidade que sente por estar com o seu namorado”. Lamenta “não haver muito dinheiro para prendas”, mas considera que “flores são uma boa prenda de amor”.
.
.
É um dia especial, em que temos a oportunidade de mostrar que gostamos do nosso namorado(a). Já sei o que vou oferecer ao meu namorado: um anel, uma fotografia e alguns poemas. Gosto de receber roupa e calçado ou então uma pulseira ou um anel.
.

Antonieta da Silva namora há quatro anos. Na sua opinião, “este dia deve servir para os namorados estarem a sós e debaterem a sua relação, para que haja uma boa compreensão entre eles”. Quanto a prendas, Antonieta gosta de “dar e receber fotografias ou postais que a façam recordar este dia.”
.

Por: Dauda Pires e Bubcacar Seidi