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sábado, 14 de junho de 2008

Nas Salas de Aula


Opinião das alunas Cadijatu e Titina

Quando entramos nas salas do nosso liceu, encontramos geralmente o chão muito sujo, com papéis, canetas estragadas, embalagens de sorvete vazias, sacos de plástico, caroços e cascas de frutos… Acabámos por nos habituar a este cenário e somos nós mesmos, os alunos, que, na maior parte das vezes, contribuímos para tal situação. Mas, por se ter tornado um comportamento habitual deitar o lixo para o chão, tal não significa que isso seja algo normal ou desejável, muito menos que não se possam mudar estes comportamentos. É preciso colocar caixotes nas salas, para aí se deitar o lixo enquanto não é queimado em local apropriado.

A escola e as salas de aula devem ser vistas como a nossa segunda casa, pois é aqui que passamos muito do nosso tempo. É neste espaço que aprendemos, que crescemos e que, muitas vezes, conhecemos os nossos melhores amigos. É natural que nos intervalos das aulas precisemos de nos alimentar e de saciar a sede, mas é preciso ter cuidado para que os vestígios não fiquem espalhados pelo chão. É uma questão de pensarmos que não merecemos passar o dia no meio do lixo. Nós temos uma grande influência no ambiente que nos rodeia e criar boas condições de higiene está nas nossas mãos.

Outro problema que se coloca em relação às salas de aula é o facto de, todos os anos, as cadeiras, as mesas, os telhados, os quadros, as próprias paredes, sofrerem actos de vandalismo. Para além disto, todos os dias são roubadas as lâmpadas das salas, impossibilitando o funcionamento das aulas no período nocturno. É lamentável que isto suceda, pois as dificuldades dos liceus são muitas e estes comportamentos só pioram a situação.

No terceiro período acontece verificar-se um outro fenómeno que vem agravar ainda mais o descontrolo que origina actos de vandalismo: o consumo de vinho de caju. Na época do vinho de caju, são muitos os que não resistem ao seu consumo, porque é acessível e porque cria a ilusão de divertimento. A comunidade escolar é um alvo fácil para os vendedores, que se instalam em frente às escolas. É frequente, nesta altura do ano, assistirmos a discussões entre os alunos, no recinto escolar e mesmo dentro das salas de aula. Estas tristes situações provocadas pelo consumo de álcool impossibilitam o normal decorrer das aulas.

Daqui a alguns anos, corremos o risco de sentir pena por não termos aproveitado as oportunidades que a escola nos oferece e de não a termos estimado melhor. A educação não se limita às matérias que aprendemos, mas também inclui a relação que estabelecemos com o meio envolvente.

Por: Cadijatu Seidi
e Titina Gomes Cá

Delinquência Juvenil em Bissau

A delinquência juvenil refere-se aos desvios de comportamento dos jovens, em relação às normas e padrões sociais que regulam a vida do indivíduo na sociedade e que permitem manter uma convivência saudável entre os cidadãos. Falamos de práticas excessivas, que podem ultrapassar os limites da lei, como o roubo, o consumo de drogas, o alcoolismo, a violência generalizada e até mesmo o homicídio.

A delinquência do jovem começa muitas vezes com o furto de pequenas somas de dinheiro em casa dos pais, familiares, na rua ou nos mercados. Depois, estas práticas transformam-se em hábitos e agravam-se os comportamentos prejudiciais. Existem factores sociais e económicos que potenciam a imaturidade ou a fraqueza psicológica do delinquente, como a pobreza e o desemprego. Quando necessidades básicas alimentares, de vestuário e de higiene não são satisfeitas, há uma maior tendência para que surjam desvios comportamentais. Os jovens cedem mais facilmente perante estas circunstâncias, até por questões inerentes à idade, como querer andar com a roupa da moda, frequentar certos lugares ou ganhar estatuto social à custa de beber e fumar. Há uma fuga para um “mundo de ilusões” que muitos jovens, rapazes e raparigas, não podem alcançar. A falta de formação e o desemprego vêm agravar estes desvios.

No entanto, seria apressado e injusto colocar nos jovens a maior parte das responsabilidades relativamente ao tema ‘delinquência juvenil’. Todos os jovens têm potencial que pode ser encaminhado em diversas direcções, sejam elas melhores ou piores. O Governo e a sociedade em geral têm um papel activo nesta questão. Ao Governo cabe a definição urgente de políticas sociais de intervenção, nomeadamente de combate à pobreza e ao desemprego. À sociedade em geral, cabe o papel de formar as crianças e jovens, criando formas saudáveis de inserção e intervenção na comunidade.
Em condições normais, sabemos que a família e a escola são meios privilegiados no que respeita à educação, formação e sensibilização; mas importa referir também o papel das múltiplas associações que proliferam em Bissau e que têm objectivos sociais, culturais e formativos bem definidos, constituindo formas eficazes de integração. Contactámos algumas associações e ouvimos o que os seus representantes têm a dizer sobre a delinquência juvenil.
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Texto introdutório: pesquisa feita pelo aluno Leonardo Pedro Indi;
Entrevistas feitas por: Leonrado Pedro Indi,
Quintino Queba, Jerónimo de Carvalho e Titina Gomes Cá

Alassana Baldé

Alassana Baldé, Aluno no Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha e Presidente da Associação de Jovens Amigos da Língua Portuguesa para o Desenvolvimento.

A: Qual é a sua opinião sobre delinquência juvenil?

A delinquência juvenil é um problema que está a tornar-se incontrolável dentro da sociedade guineense. Entre outros factores, a principal causa da delinquência encontra-se na falta de ensino qualificado e de formação dos jovens, que lhes garanta emprego e condições de vida favoráveis. Neste momento a vida está muito difícil, não há condições sociais nem económicas de auto-sustento das famílias.

Roger Nagana e Ernesto Correia

Roger Francisco Nagana e Ernesto Higino Correia, membros da mesa de Assembleia de CONAEGUIB (Confederação Nacional de Associações de Estudantes da Guiné-Bissau)

A: Que tipo de delinquência juvenil existe em Bissau?

R&E: Existem vários tipos de delinquência na Guiné-Bissau, mas destacam-se os assaltos e o consumo de álcool e drogas.

A: Que factores conduzem à delinquência juvenil?

R&E: Os factores que conduzem à delinquência são sobretudo o desemprego, as greves escolares e a consequente desocupação dos jovens.

A: Qual é o papel da CONAEGUIB face a este problema?

R&E: A nossa associação tem a competência de fazer a ligação entre as associações de estudantes e o Ministério da Educação e Ensino Superior. Neste sentido, é nosso dever alertar sobretudo para os problemas que advêm das prolongadas greves escolares. As consequências são graves, a curto e a longo prazo. A curto prazo, as greves são um elemento facilitador da delinquência juvenil, uma vez que os jovens ficam desocupados e a alimentar vícios. A longo prazo, as greves debilitam ainda mais a educação e a formação dos jovens guineenses, que não ficam devidamente preparados para o futuro. Este último factor, a par de outros, vem agravar o problema do desemprego.
Acreditamos que o Governo vá providenciar melhores condições de trabalho no meio escolar para que os professores possam cumprir as suas funções. Por outro lado, também é urgente criar dinamismo empresarial para que surjam mais oportunidades de trabalho para os jovens.

Emmanuel Santos


Emmanuel Santos é, desde 2007, presidente do Conselho Nacional da Juventude (C.N.J.). Era ainda estudante, no Liceu Nacional Kwame N’krumah, quando começou a envolver-se com associações e organizações de voluntariado, ligadas à promoção da juventude e à luta por causas nobres, como o ambiente, a paz, a luta contra a SIDA ou o combate à pobreza. Antes de fazer parte da CNJ (2005), foi vice-presidente da Geração Nova Tininguena (2002), organização a que esteve ligado desde 1997. Tem organizado diversos encontros de jovens e actividades culturais: um concerto de RAP logo pós o conflito; o Carnaval; a V Semana Nacional da Juventude; o Campo Nacional de Jovens (Bolama); algumas visitas de estudo. Participou no Fórum Mundial da Juventude, em Dakar (2001) e na Conferência da Juventude da CPLP contra o VIH, em Bissau (2006).

A: Que tipos de delinquência existem em Bissau?
E: Antes de mais, gostaria de dizer que não gosto de expressão 'delinquência juvenil', porque associa indevidamente o mal à juventude. Mas o tipo de delinquência que existe em Bissau é especialmente o roubo, o alcoolismo e o crime ligado à droga.

A: Quais são os factores que conduzem à delinquência?
E: Assistimos ao aumento da pobreza, à falta de emprego, de formação e de saídas profissionais. Em termos gerais, há uma falta de enquadramento sócio-profissional dos jovens. As famílias também não têm capacidade para se auto-sustentar, especialmente em termos médicos. Há uma grande frustração na sociedade, que não vê soluções para estes problemas. E há uma falta de objectivos claros, por parte do governo, para dar resposta aos problemas que a Guiné enfrenta. Esta frustração faz com que muitos jovens não tenham força suficiente para enveredar por melhores caminhos.

A: Como é que sabemos que estamos perante um caso de delinquência?
E: Não considero que o desemprego dos jovens, em si, seja delinquência. É possível identificar um delinquente pelo seu comportamento, como a prática do roubo e o consumo de álcool e drogas. Em Bissau não há uma cultura de grupos de delinquência organizados, mas é um fenómeno que tende a desenvolver-se de forma preocupante. Em parte devido à circulação de pessoas proveniente da entrada do país para a UEMOA, por outro lado devido a um crescente consumo de droga.

A: Quais são as consequências sociais da delinquência juvenil?
E: As consequências são a nível pessoal e social: causa perturbações psicológicas e físicas (vícios, detenção), gera violência, corrupção e descrédito.

A: Como funciona a associação, em que actua e quais são os seus objectivos?
E: A CNJ é, antes de mais, uma plataforma que tem como missão coordenar as confederações e as associações da juventude da Guiné-Bissau. Trabalhamos em cooperação, diálogo e intercâmbio com diferentes parceiros. Em termos de actuação, apontamos para os objectivos referidos nos Estatutos da Acção Juvenil para o Desenvolvimento (ver no final da entrevista*).

A: O que pode ser feito para diminuir a delinquência juvenil?
E: É preciso criar condições de enquadramento educacional e profissional dos jovens. É preciso aproveitar o potencial natural e humano deste país. Olhemos para o exemplo de Cabo-Verde. Por outro lado, temos que ver a família como a base da sociedade e uma célula em que é preciso investir.

A: Há algum caso de que queira falar?
E: Há muitos casos que podem ser referidos. Gostaria de referir um caso de sucesso, em termos de reintegração dos jovens, que é o centro de recuperação de toxicodependentes e alcoólicos em Biombo (Quinhamel).
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*Objectivos do Conselho Nacional da Juventude:

a) Promover iniciativas que visem garantir o desenvolvimento intelectual dos jovens, das mulheres e das crianças, bem como a defesa dos direitos dos mesmos;
b) Contribuir para a elevação do papel das mulheres na vida económica, política, social, cultural e ambiental do país;
c) Lutar contra os flagelos sociais, como a droga, a prostituição, o racismo, a xenofobia e o analfabetismo.
d) Consciencializar os jovens sobre uma cultura de paz, democracia, participação e cidadania, bem como a paixão e o interesse pela formação em vários níveis e áreas;
e) Organizar e realizar actividades culturais e desportivas, igualmente sobre género e qualidade de vida;
f) Labutar pela qualidade ambiental nacional e internacional;
g) Lutar pelo respeito dos direitos e deveres das crianças e do Homem.

Zito Djú


Zito Djú, Coordenador de A.J.D.Q.
(Acção Juvenil para o Desenvolvimento de Quinhamel)

A: Que tipos de delinquência existem em Bissau?
Z: Antes de falar dos tipos de delinquência que existem em Bissau, é preciso definir essa palavra. Delinquência refere-se aos desvios de comportamentos e ao conjunto de más práticas sociais. Em Bissau são frequentes o consumo de álcool, droga e tabaco, o roubo, o homicídio e a prostituição.
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A: Quais são os factores que conduzem à delinquência?
Z: Os factores que conduzem à delinquência são problemas de ordem económica, especialmente o desemprego, mas também de ordem social, como as más companhias.
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A:O que pode ser feito para diminuir a delinquência juvenil?
Z: As associações juvenis são uma forma positiva de lidar com a delinquência, já que permitem um saudável convívio entre os jovens, bem como a participação em formações ligadas a vários domínios. As associações são espaços de lazer que ocupam os jovens num ambiente de acção.
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A:Quais são as consequências sociais da delinquência juvenil?
Z: As consequências sociais são sempre negativas, porque um delinquente torna-se uma pessoa violenta, isolada dentro da sociedade, a qual responde com cada vez mais violência
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A:Há algum caso de que queira falar?
Z: Sim, o caso concreto de um vizinho que atacou uma mulher, arrancando-lhe um fio de ouro que ela tinha ao pescoço. Pôs-se a correr para atravessar a estrada e foi atropelado por uma viatura que lhe quebrou o pé esquerdo.

As origens dos comportamentos desviantes dos jovens



Opinião de Eugénio N'luta, sociólogo e professor no Liceu Dr. Rui B. Cunha, no Liceu João XXIII e na Universidade Amílcar cabral

Considero que as principais causas dos comportamentos desviantes e delinquentes, actualmente em aumento na Guiné-Bissau, não estão directamente ligados com a pobreza, mas sim com o desenvolvimento de uma cultura de violência, por um lado, e a desorganização das famílias, por outro.
Notemos que o país conheceu dois conflitos sangrentos na sua história recente (a luta pela independência e, mais recentemente, a guerra civil), os quais geraram a tipificação de uma cultura de violência e prepotência. Nas ruas, nos bairros e nas próprias famílias, é frequente assistirmos a cenas de conflito, de vingança, de troca de insultos, assistidas por multidões que nem sempre estão preocupadas em apaziguar os conflitos, mas ainda incitam a uma maior violência. Nestes contextos, torna-se fundamental sair vencedor, por questões de honra, facto que só perpetua os esquemas de violência, estimulados pelos comentários provocadores dos vizinhos.
A desestruturação familiar é outro problema, relacionado com a migração das populações para a capital, sem atender à particularidade do meio e muito menos às necessidades cada vez maiores de modernização, democratização e globalização, sustentadas pelo princípio da liberdade individual. É de salientar que as classes dirigentes têm que saber mobilizar as suas influências políticas e económicas no sentido do país poder enfrentar estes desafios.
A partir do período pós-independência, surgiram espontaneamente, entre o modelo de família rural e moderno, diferentes tipos de famílias, que geram hoje grandes preocupações. Sem estruturas sólidas dos seus processos de socialização, e influenciados pela imitação de subculturas e contraculturas, acabam por gerar nos jovens crises de identidade, de nacionalidade, de consciência e de confiança. Refira-se por exemplo, o alargamento da poligamia aos meios urbanos. Nos meios urbanos, as casas não têm a dimensão das moransas do interior, resultando daí a divisão familiar, ao invés da coabitação. O fenómeno da poligamia urbana traduz-se no facto de um homem ter várias mulheres e, consequentemente, ter várias casas: uma mulher em cada casa e em bairros diferentes, e cada uma com os seus filhos. Mesmo que assuma as despesas inerentes a cada uma das suas "casas", o pai é um elemento ausente. A mãe, por sua vez, também tem que sair de casa para ganhar algum sustento. A poligamia urbana gera famílias monoparentais, fenómeno que, em si, não é algo de extraordinário; o problema é que os filhos ficam por conta própria, dada a ausência de estruturas educativas que os integrem: os pais estão ausentes, não há creches e a escola atravessa longos períodos de greve.
A desorganização das famílias nos centros urbanos, particularmente em Bissau, criou graves problemas sociais que afectaram todo o sistema de relacionamentos interpessoais e institucionais, acompanhados pelo crescimento caótico da capital, que enfrenta o forte fenómeno de imigração e do desemprego dos jovens. Os seus habitantes, cada vez mais confrontados com a miséria, são constrangidos a enveredar, individualmente ou em grupo, por alternativas ilegais, de forma a atingir objectivos pessoais ou de grupo. Assim, em vez de uma harmoniosa convivência social entre grupos heterogéneos, assistimos ao choque de culturas e subculturas, potenciados pelas rivalidades criadas.

Professor Eugénio N’Luta

Cidade de Bissau

Bem vindos à cidade de Bissau!

Em negócios, em trabalho, de passagem como turistas ou para visitar familiares e amigos, são cada vez mais os visitantes (estrangeiros e nacionais) que chegam à cidade de Bissau. Para uma estadia mais curta ou mais prolongada, há diversas opções para passar o tempo em Bissau: visitar monumentos de referência histórica, fazer desporto, assistir a espectáculos variados, tomar um café ou um refresco, repousar, dançar, entre outros…

Monumentos Históricos



Construída no ano de 1941, “Maria da Fonte” faz parte da memória colectiva dos bissau-guineenses e fica no centro da capital, em frente ao palácio da Presidência da República. Bem no centro da praça está implantada a imponente estátua de uma mulher segurando uma coroa de oliveira, marco do império colonial português. Por essa razão não poucas vezes as autoridades guineenses tentaram arrancar a estátua da praça. Mas este esforço foi em vão e ela acabou por ficar. Resignadas, as autoridades decidiram mudar o nome à praça e a anteriormente designada “Praça do Império” é agora a “Praça dos Heróis Nacionais”. Apesar de estar hoje um pouco votada ao abandono, esta praça foi outrora sinónimo de alegria domingueira, já que era aqui que as famílias passeavam, conversavam e conviviam ao domingo. Hoje há algum desencanto neste “espaço morto”, apesar de ser ainda uma referência na capital.

A história da “Mão Negra” tem origem na tarde de 3 de Agosto de 1959. Nessa data, os trabalhadores do Cais de Pindjiquiti juntaram-se e gritaram a uma voz “Basta de precariedades!”: salários injustos, condições de trabalho miseráveis e recusa de diálogo perpetrados por empresas monopolistas. Os trabalhadores recusaram-se a trabalhar, fazendo greve, e exigiram mudanças e melhorias claras das condições de trabalho. Em resposta, gerou-se uma situação de conflito e disparou-se indiscriminadamente sobre os trabalhadores, que simplesmente não aguentavam mais a intolerância, a incompreensão e o abuso que provinham do regime colonialista.
Na sequência desses disparos, mais de cinquenta trabalhadores perderam a vida. Alguns desses corpos foram atirados ao mar e nunca mais foram encontrados. Em homenagem às vítimas deste massacre e para que não se voltem a repetir os mesmos abusos, foi construída a estátua “Mão Negra”, conhecida pelos guineenses como "mom di timba", que está situada ao lado do quartel da Marinha Nacional.

Lazer e espectáculos



Se quiser assistir a um espectáculo, há alguns sítios onde se pode dirigir. O Centro Cultural Português é um deles. Apresenta, todas as semanas, múltiplas actividades (teatro, música, cinema, exposições), especialmente ao final do dia. Também o Centro Cultural Franco-Guineense tem espectáculos diversificados. O espaço/ esplanada Lenox, embora um pouco afastado do centro da cidade, é um outro local a considerar, já que, para além dos espectáculos de artistas diversos, permite aos clientes saborearem uma refeição, deliciarem-se com um gelado ou simplesmente tomarem um café. Mas há outras esplanadas que permitem conciliar as refeições com um espaço ao ar livre e, ocasionalmente, com um espectáculo, como a famosa Baiana ou o restaurante e hotel Ta-mar. Note-se que se destacam a música e a dança, especialmente africanas, no que respeita aos espectáculos ao ar livre.

Existem, naturalmente, muitos outros espaços de lazer em Bissau, especialmente se nos estivermos a referir a restaurantes. Com comida europeia ou africana, podemos indicar, para além dos restaurantes dos hotéis, os seguintes: Dona Fernanda, Padeira Africana, Senegalesa, Dragon, Bate-Papo, Cantinho da M’Butcha, Benfica, Sporting, Dom Bifanas, Pensão Central, Sara Fast Food, Phoenicia, entre outros.

Vida Nocturna: Discotecas

A discoteca Plack é um espaço de divertimento nocturno, que recebe pessoas provenientes de diferentes partes do mundo, bem como as pessoas de elite da nossa sociedade. Define-se, assim, como uma discoteca selectiva, especialmente às sextas-feiras e sábados. Nestes dias, o vestuário dos clientes deve obedecer a critérios mínimos. Há também algumas condições para a reserva das mesas, já que o cliente tem que consumir uma garrafa de whisky, que lhe dá direito a entrada grátis. A sexta-feira é o melhor dia da casa. O principal objectivo da discoteca é a satisfação dos seus clientes, através do divertimento e de um bom serviço. Tendo em conta o tipo de clientes habituais, ouvem-se, num ambiente suave, sobretudo músicas Zouk e Kizomba. Aos sábados, o ambiente cria-se a partir uma mistura de vários estilos de música. Por sua vez, ao domingo a Plack oferece um programa mais descontraído, estando o espaço, a partir das 19 horas, preenchido com actividades juvenis, que vão da poesia à dança, passando pelo playback. O custo da entrada varia entre os 1000 fcfa (domingo) e os 2500 fcfa (sexta-feira). Ao sábado a entrada é grátis para as mulheres.

Para quem gosta de discotecas há outros locais para conhecer, embora mais afastados do centro da cidade, como as discotecas Sonhos e Bambu. São locais mais espaçosos e também com um ambiente mais descontraído.

Praticar desporto

O Estádio Lino Correia, localizado no centro de Bissau, permite praticar e assistir a diferentes modalidades desportivas: futebol, futsal, basquetebol, andebol e ténis. Com quatro campos de futebol (de 11), o Estádio Lino Correia tem sido usado pelas principais equipas, em treinos e em campeonatos oficiais, mas também por amadores, que apenas desejam praticar desporto e manter a forma física. Também os alunos dos diferentes liceus fazem ginástica neste recinto. Ultimamente este estádio tem sido beneficiado com várias obras, entre as quais a colocação de um relvado sintético, o primeiro na História da Guiné-Bissau. Bem perto do estádio Lino Correia, encontramos dois edifícios que não poderíamos deixar de destacar: o “Benfica” e o “Sporting”, hoje transformados em restaurantes e locais de convívio.

O Estádio Nacional 24 de Setembro foi inaugurado a 14 de Novembro de 1987 pelo actual Presidente da República João Bernardo Viera e tem capacidade para receber quinze mil pessoas. Neste momento o estádio encontra-se reabilitado, graças ao torneio ali realizado há poucos meses atrás (Taça Amílcar Cabral). O Estádio Nacional permite a prática de diferentes modalidades, como por exemplo, o futebol (de 11), o atletismo e a luta livre. Tem ginásio e um espaço que permite a prática de salto em comprimento. Apesar de todo o seu potencial, este estádio não é muito utilizado pelos bissau-guineenses no dia a dia, pois está muito afastado do centro e da maioria dos bairros com mais população. Por outro lado, tem a vantagem de estar situado perto do rio Geba, podendo os praticantes de desporto desfrutar do ar puro e de um ambiente mais reservado.

Onde ficar

Com diferentes apartamentos, quartos e serviços, com terraços e jardins interiores, uma sala de convívio e uma sala de pequenos-almoços, a Residencial Coimbra é uma opção que prima pela qualidade e pelo conforto, com a vantagem de estar localizada bem no centro da cidade de Bissau. Os serviços da Residencial Coimbra incluem também a possibilidade de fazer passeios turísticos pelo interior da Guiné-Bissau. O seu restaurante apresenta um estilo requintado, moderno e funcional. Depois do jantar, há ainda o Bar X-Club, onde se pode “beber um copo, entre dois dedos de conversa”.

Situado em pleno centro da cidade de Bissau, o Hotel Malaika é um local privilegiado para quem vem em negócios. O restaurante do hotel combina as cores da terra com os aromas da cozinha regional portuguesa e também com as iguarias da gastronomia internacional. O bar Malaika é também um ponto de encontro de excelência na cidade de Bissau. Na esplanada Rio Geba é possível desfrutar da vista para a capital, num ambiente calmo e sossegado, enquanto se aguardam os grelhados no carvão ou se repousa ao final da tarde. O hotel dispõe ainda de uma sala de conferências, a sala Amílcar Cabral, com capacidade para 80 pessoas, equipada com sistema de projecção e som, de forma a satisfazer as necessidades de grandes empresas.

A Pensão Creoula, também no centro da cidade, é uma casa com três quartos e uma sala de refeições. Um dos quartos é de casal e tem casa de banho privativa. Os outros quartos são mistos, ou seja, têm uma cama de casal e duas individuais. A pensão dispõe ainda de uma pequena cozinha, onde os hóspedes podem fazer um chá ou um café. É uma opção mais familiar e mais económica. Há ainda o restaurante Creoula, que disponibiliza refeições num espaço agradável.

Mais afastado do centro de Bissau, encontra-se o Palace Hotel, com todos os requisitos de um hotel de 5 estrelas. Com restaurante e piscina, está situado a cerca de 2 km do aeroporto.


Por: Bubacar Seidi, Solange Baldé, Hamadu Baldé, Gerson Badinca e Aliu Djassi.

"Torres Gémeos"

“Lil Saná” (Alassana Djaló), porta-voz do grupo Torres Gémeos - Grupo Musical da Nova Geração

A: Que elementos fazem parte do grupo Torres Gémeos?
L: Alassana Djaló, de 23 anos (porta-voz), estudante da Faculdade de Direito; Lésmis Monteiro, de 23 anos, também estudante da Faculdade de Direito; Libórriu Monteiro, de 25 anos e Ivandro, de 25 anos, ambos a estudar em Dakar.

A: Há quanto tempo formaram o grupo?
L: O nosso grupo, chamado Torres Gémeos, foi fundado no dia 15 de Setembro de 2006. Um ano depois, já foram gravadas 5 maquetas, com destaque para uma música de grande sucesso: N’boa Ambiciosa.

A: Porquê o nome Torres Gémeos?
L: A palavra ‘Torres’ tem a ver com o facto de os elementos deste grupo serem altos. ‘Gémeos’ significa instinto fraternal e amizade, de forma a igualar e a reforçar a amizade.

A: Quais são os objectivos do grupo?
L: Um dos nossos objectivos é tornarmo-nos um dos grandes grupos de hip-hop de Bissau, seguindo as actuais tendências. O hip-hop bissau-guineense faz a fusão do hip-hop com o djambadon, com a tina e também tem influências do reggae.
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A: Têm patrocínios?
L: Infelizmente nunca tivemos patrocínios. As gravações são fruto do esforço pessoal de cada elemento do grupo. Conseguimos alguma coisa através dos concertos que damos.
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A: Quantos álbuns gravaram desde a fundação do grupo?
L: Por falta de patrocínio, não gravámos nenhum álbum, mas sim maquetas. Uma maqueta é uma música e custa cerca de 15 000 fcfa. Para lançar um álbum, os custos excedem os 100 000 fcfa. Gravámos as maquetas em Bissau, num estúdio da Zona 7 e no estúdio da Rádio Mavegro. Gravámos as seguintes músicas: ‘Perdão’, ‘N’boa’, ‘Bué’, ‘Coca de Biombo’, ‘Caba Catem’, ‘Inveja’ e ‘Ka Bu Disam Sofri’. Os dois últimos trabalhos não foram divulgados na rádio porque precisam de algumas rectificações. ‘Bué’ foi gravado com um grupo dinamarquês que passou por Bissau.

Por Cadidjatu Seidi

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Crise de Gasolina na Guiné-Bissau

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A falta de gasolina, que se faz sentir desde o início de Março na Guiné-Bissau, tem causado um significativo aumento de preços dos produtos de primeira necessidade.
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Os produtos de primeira necessidade aumentaram significativamente nas últimas semanas: um saco de arroz que custava 12500 francos CFA, passou a custar 15000; o pão aumentou de 100 para 150 francos CFA; um peixe de 750 francos CFA, passou a custar 1500; uma barra de sabão aumentou de 600 para 1000 francos CFA . Estes aumentos estão directamente relacionados com as dificuldades em sustentar os transportes, nomeadamente as canoas usadas na pesca (com motores a gasolina) ou os carros que trazem os produtos do Senegal e da Gâmbia. Um litro de gasolina que custava 750 francos CFA (cerca de €1,15), custa agora entre 3000 a 5000 francos CFA (entre €4 a €7,5).
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O transporte de doentes é outro problema causado pela falta de gasolina, com graves consequências para os cidadãos, nomeadamente os que residem nas ilhas e estão inteiramente dependentes das canoas para viajar. Nas suas casas, os cidadãos vêem-se também em dificuldades, já que não podem sustentar os pequenos geradores que, por algumas horas fornecem electricidade.
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Não havendo reservas de gasolina no país, que possam remediar as oscilações do preço deste combustível no mercado internacional, as repercussões no dia a dia dos guineenses são imediatas. Apesar da Guiné-Bissau dispor de um depósito (DICOL) com capacidade de reserva para 20 000 litros de combustível, devido a problemas de manutenção e a dificuldades financeiras, a sua capacidade de resposta está muito reduzida. A Guiné-Bissau fica assim inteiramente dependente do Senegal, enquanto parceiro externo, para tentar colmatar as necessidades mínimas de gasolina e, directa ou indirectamente, de outros produtos básicos. Mas nem sempre este parceiro pode dar resposta, agravando-se assim a vida dos guineenses que, por norma, já é difícil.
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Alunos do Atelier de Jornalismo, 15/04/2008

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Ficha Técnica

Anunciador 2007/2008:

Professora do Atelier de Jornalismo: Susana Fonseca
Alunos do Atelier de Jornalismo:
Turma 1 - de Outubro a Fevereiro: Alaje Djaló; Fernando Tchuda; Franculino Gomes; Justino da Silva; Oraison Costa; Paluxo Ié; Raquel Monteiro; Tamara Sá; Vaniolino Mendes de Carvalho; Zézito António Pedro.
Turma 2 - de Março a Junho: Aliu Djassi; Bubacar Seidi; Cadijatu Seidi; Gerson Badinca; Jerónimo de Carvalho; Leonardo Indi; Hamadu Baldé; Quintino Queba; Solange Baldé; Titina Gomes Cá.
Participação especial: Professor Eugénio N'Luta.
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Colaboração na revisão de textos: professora Ana Sofia Morgado
Fotografia: Susana Fonseca
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Nota: A 1ª edição do Jornal Escolar "Anunciador" (Nº1, Junho 2007) foi feita em suporte de papel. Apesar de não ter existido blogue, publicamos aqui alguns dos seus artigos, referidos com a respectiva etiqueta de Junho 2007.

Clube e Atelier de Jornalismo

Objectivos:
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Incentivar o uso e a divulgação da língua portuguesa, através do trabalho com textos jornalísticos;
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Criar um espaço comum de informação, análise e problematização;
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Capacitar os alunos para o domínio do Word e Internet;
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Orientar o trabalho de preparação, de pesquisa, de entrevista e de produção de textos;
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Publicar em jornal (blogue e suporte de papel) os trabalhos produzidos;
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Incentivar a participação feminina na vida escolar;
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Desenvolver a autonomia e o espírito crítico dos alunos;
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Desenvolver a capacidade de observação e de expressão dos alunos;
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Promover a responsabilidade individual e a capacidade de trabalho em equipa;
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Sensibilizar para a relação entre a escola e a sociedade;
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Contribuir para o processo de humanização do meio escolar;
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Promover a participação no jornal escolar por parte da restante comunidade escolar (alunos, professores, associação de estudantes);
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Formar para a cidadania;
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Sensibilizar para a necessidade de identificar objectivos, caminhos e meios que permitam um desenvolvimento sustentável, num contexto de paz e de valorização dos direitos humanos.
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