Por: Anita, Felismina, Cassiano e Paulo
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Brincar com as palavras é um prazer!
Por: Anita, Felismina, Cassiano e Paulo
Intercâmbio de Jornais escolares: Vialonga & Bissau
Neste âmbito, publicamos um dos artigos do Boletim deste agrupamento de escolas, que é feito por alunos que não têm o Português como primeira língua, por serem oriundos de diferentes países.
O artigo é referente a um novo estilo de dança que vem ganhando muitos adeptos! Esperamos que gostem. Esperamos também que seja o início da troca de muitas experiências, ideias e saberes!
Para saber mais:
http://escolab2-3-ol.blogspot.com/
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Cronicando...
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Há muitas pessoas que tentam pôr em prática certas coisas imaginárias. Muitas vezes, estas tentativas servem interesses pouco gloriosos.
Em certas aldeias e ilhas, há sempre alguém que se gaba de ser o mais sábio de todos. Estas pessoas influenciam outras, em momentos em que estejam a atravessar maiores dificuldades, a fim de poderem dominá-los. Sempre que estas pessoas chegam perto de alguém que querem dominar, sussurram ao desgraçado que a sua alma não está no seu corpo, que foi tirada por um irã da família do seu pai ou da sua mãe e, assim que vê o medo no seu rosto, simula fazer-lhe um feitiço. Geralmente o povo acredita que só um irã da própria família, que lhe seja próximo, é que lhe pode fazer mal. Quando está doente ou tem um problema, esta pessoa vai associar a sua doença ou problema às palavras que o feiticeiro disse quando lhe fez o feitiço e vai acreditar que é mesmo essa a causa do que lhe acontece.
Mas também há muitas pessoas que não acreditam nestes “sábios”. Não acreditam ou porque preferem acreditar na razão ou porque preferem acreditar num Deus superior a qualquer Homem. Passamos então a outras reflexões: o desespero das pessoas no momento em que o mundo está rolando, com todas as dificuldades, leva-as a acreditar no que dizem os que têm mais influência na mente humana.
Devemos tomar cautela em relação a isto, senão vamos para o mesmo lugar para onde eles vão: o inferno. Entenda-se por inferno um lugar de perdição, em que somos completamente dominados ou nos deixamos dominar.
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Por: Teodora Tavares (11ª Classe)
10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas
Na Oficina em Língua Portuguesa do Liceu Dr. Rui Cunha, a comemoração do dia 10 de Junho teve início com a apresentação, em placar, de uma exposição alusiva ao tema.
Em seguida, sob o olhar atento de um júri, constituído por dois professores do liceu, uma professora do PASEG, um aluno e um colaborador da Oficina, decorreram os concursos de dança e poesia.
A manhã terminou em grande, com a apresentação de um documentário sobre o jogador português Ronaldo. Obrigatória foi a repetição do documentário à tarde e no dia seguinte de manhã…
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terça-feira, 27 de abril de 2010
As viagens do professor Quintino Na Pana
. Foto: Quintino a atravessar o deserto da Mauritânia de bicicleta
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1 - Gosta de viajar? Porquê?
Gosto de viajar por uma razão muito simples, é que posso ver as diferenças entre vários países, como a Guiné, a Mauritânia, o Senegal, a Gâmbia. Durante a viagem posso conhecer várias pessoas. Viajar é bom, mas é preciso ter coragem.
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2 – Como é que gosta de viajar?
Viajo sempre de bicicleta e sozinho, pedalando. Considero-me um jovem mensageiro da paz. Gosto especialmente de viajar perto do Dia de África, que se celebra a 25 de Maio. Aproveito para meditar e para apelar para que África seja um continente de sossêgo. Os dirigentes políticos também deviam aproveitar esta data para reflectir.
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3- Por que cidades e países é que já viajou?
Fiz duas viagens. A primeira foi em Maio de 2008. Saí de Bissau para Ziguinchor e para a Gâmbia. A segunda foi em Maio de 2009, com partida de Bissau (Guiné-Bissau) para Ziguinchor (Senegal), Banjul (Gâmbia), Kaolak, Fadik, M’bour; Dakar, Tchesse, Louga Kebemer, Saint Louis (cidades do Senegal); depois segui caminho em direcção à Mauritânia, passei de Rosso no Senegal para Rosso na Mauritânia, até Tiguin (uma tabanca situada a 108 Km da capital da Mauritânia, Nuakchot). Ao chegar a Nuackchott coloquei a bicicleta num transporte público e regressei. Nesta segunda viagem andei 1253 quilómetros de bicicleta em oito dias.
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4 - Qual foi a viagem de que mais gostou?
Gostei mais desta última, à Mauritânia. Porque, quando estudava no liceu, ouvia sempre falar do deserto. Esta viagem permitiu-me ver e saber o que de concreto é o deserto. O que lá constatei é fantástico, vi por exemplo pessoas cobrindo sempre a cabeça com lenços de quase 3 a 4 metros de comprimento, protegendo-se das poeiras do deserto e do sol. Eu próprio tive que adquirir este equipamento porque é difícil andar no deserto sem este lenço em volta da cabeça.
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5 - O que leva na mochila?
Levo sempre comigo algumas roupas, água, rebuçados (amêndoas), bolachas, etc.
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6 - Qual é objectivo das suas viagens? Que mensagens leva?
Estou sempre a divulgar a mensagem da Paz para os povos africanos, pensando sempre neles. Nas minhas viagens levo comigo algumas bandas com uns dísticos de paz. Também estou sempre acompanhado da bandeira da Guiné-Bissau, mostrando a minha proveniência, e também tenho uma bandeira branca como símbolo da paz.
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7 - Das cidades que visitou, de qual gostou mais?
Apesar de Bissau ser a cidade onde vivo com a minha família, diria eu que posso viver em qualquer sítio, até mesmo no deserto. Quando cheguei à fronteira da Mauritânia, encontrei um agente da polícia das migrações que me disse: “vais entrar neste país, tens que aceitar viver como os mauritanos”. Esta frase encorajou-me bastante, e até me tirou o preconceito que tinha recebido de algumas pessoas, que me falaram antes de eu viajar para este país, dizendo que os mauritanos são más pessoas. No entanto, fui obrigado a respeitar as regras que lá encontrei e adaptei-me muito rapidamente, graças às minhas boas maneiras.
Alguns mauritanos, quando me viram com a bandeira da Guiné e da paz, deram-me pequenas moedas e leite, e outros até bateram palmas. Antes de regressar à Guiné, fiz um pequeno encontro com a comunidade guineense residente naquele país e ficaram muito satisfeitos.
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8 - Qual é a sua viagem de sonho?
A minha viagem de sonho é chegar à África do Sul de bicicleta, onde está um dos principais símbolos da paz: Nelson Mandela. Gostava de lhe apertar a mão.
9 - Quais foram as principais dificuldades que enfrentou nas suas viagens?
A dificuldade maior é a água ficar sempre quente. Também tenho dificuldade em arranjar dinheiro para a viagem. Cheguei a ficar algumas semanas na Gâmbia, junto com imigrantes guineenses, a trabalhar para ganhar algum dinheiro para o regresso. Outra coisa que me faz falta nestas viagens é uma tenda de campismo, pois facilitaria muito as minhas noites. Finalmente, tenho algum receio de andar nalgumas estradas, onde os carros viajam a alta velocidade.
Por outro lado, tenho sempre a preocupação de me identificar quando chego a cada país, junto do Ministério do Interior. Também entro em contacto com as rádios, para dar notícias, e também costumo contactar com o povo da Guiné-Bissau que está nos países que visito.
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10 - Nas suas viagens houve algum episódio que o tenha marcado mais?
Gostei da experiência na Gâmbia, quando estive a trabalhar com os imigrantes guineenses para arranjar dinheiro.
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11 - Qual é o prato principal em cada país que visitou?
Na Mauritânia o prato principal é carne de camelo. Também provei leite de camelo e é muito bom. No Senegal e na Gâmbia é o tchebdjem: arroz e peixe com especiarias e legumes.
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Quintino Na Pana - professor de Educação Física no Liceu Dr. Rui Barcelos da Cunha
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Entrevista preparada por todos os elementos do Clube e Atelier de Jornalismo
Redacção:
Felismina Mendes e Paulo Bem-Obé
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Música. Dú das Mágoas e Bonizande
Mamadú Sana Nalana nasceu a 29 de Junho de 1985 e mora no bairro de São Vicente de Paulo. Começou a cantar vários géneros musicais em 2003. Canta diferentes estilos, como Gumbé, Zouk, AMP, Reggae, baladas... dependendo da inspiração do momento e também atendendo à procura do mercado. Não tem nenhum disco editado, mas já fez 4 maquetas, numa das quais está incluído o sucesso “kombosa bo kruskaras”. Diz-nos que quer evoluir e aprender com os mais experientes. Já terminou a 11ª classe, no Liceu 23 de Janeiro e agora vai dedicar-se à música. Neste momento está a aprender a tocar guitarra no Centro Cultural Português. Na realidade confessa que ainda não se sente realizado com a música, porque há muito para aprender, mas sabe que vai estar na música para o resto da vida. Lamenta o facto de a cultura da Guiné não ser respeitada, mas acredita que, no futuro, será uma mais valia para a Guiné-Bissau
Bonizande Aissom Sanca nasceu a 5 de Outubro de 1989. Terminou a 11ª classe em 2008, no Liceu Dr. Agostinho Neto, e tornou-se especialmente conhecida quando ganhou o prémio nacional de Rainha do Carnaval de 2008, embora já tivesse começado a carreira de cantora em 2005, tendo editado a primeira maqueta em Agosto de 2006. Este trabalho foi entretanto promovido pelas rádios nacionais. No entanto, admite que é difícil vender este tipo de produtos e que é preciso ser persistente para entrar no mundo da música. Mas Bonizande sabe que nunca vai desistir do seu sonho, que é cantar. Gosta especialmente de cantar ritmos tradicionais, como Gumbé ou Broska, pois foi a ouvir e a dançar estes géneros que cresceu. Os principais obstáculos ao seu desenvolvimento como cantora são financeiros. Uma das coisas que Bonizande aprecia fazer são os trabalhos que faz com outros artistas, pois considera que também aprende quando canta com eles. Uma das mensagens que considera importante fazer passar é que a música pode contribuir para acabar com o ódio e com a violência, apelando à paz e à reconstrução de uma nova Guiné-Bissau. É preciso acreditar no diálogo; só assim se pode impedir que o povo morra de fome.
Viagem a Kansala
Uma vez na minha vida tive a oportunidade de conhecer um espaço sagrado, situado na zona de Gabú, mais concretamente em Kansala. Este local foi palco das históricas lutas guerreiras entre fulas e mandingas, decorridas por volta do século XVIII, no Império de Gabú, que era anteriormente uma célebre região do Império do Mali. Embora já tenham passado muitos anos, décadas e séculos, há quem ainda se depare com vestígios de ódio, que ainda acendem discussões. Essas guerras longínquas sacrificaram muitas vidas e acredita-se que os restos mortais dos que morreram continuam espalhados pelo local, daí o respeito exigido aos que visitam Kansala.
Durante o percurso até Kansala observei muita coisa, mas o objectivo era chegar ao local para realizar o desejo de conhecê-lo. Neste local, conheci a casa do lendário governador mandinga Mansa Djanki Walle e pude falar com um dos seus descendentes, que foi quem me conduziu propriamente ao local sagrado. Neste local árido e infértil, destacam-se dois poilões (espécie de árvores de grande porte) que, segundo o nosso guia, outrora foram gente, um deles uma mulher e outro um homem. Diz-se que pela força do amor se transformaram em poilões e escaparam ao incêndio suicida de Mansa Djanki Walle. Este governador preferiu incendiar Kansala e o seu povo em vez de se submeter aos fulas. Kansala é visitada por pessoas que querem pedir um futuro melhor, deixando as suas ofertas junto daquelas árvores e de umas pedras eminentes que sobressaem na zona.
Kansala, embora receba o culto de alguns, é um local histórico abandonado, à semelhança de muitos outros locais na Guiné. Mamadú Walle, o nosso guia e descendente do lendário governador mandinga, tem o sonho de que um dia haja um museu regional que não deixe esquecer a história do seu povo. Infelizmente a História da Guiné tem sido esquecida pelos nossos governantes, o que trará perdas à identidade do povo guineense e africano. A política é também, ou deveria ser, fundadora da nossa identidade, da identidade de todos nós. Seria bom que as questões do nosso património e da nossa História não fossem esquecidas e tivessem lugar nos programas políticos. Também os jovens podem ser sensibilizados e mobilizados para iniciativas nesta área, já que são eles os guardiões do futuro.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Homens-lobo e outros mitos
À semelhança do que acontece com o mito grego de Licaon, um pouco por todo o mundo diferentes culturas têm no seu imaginário histórias sobre homens que se transformam em animais. Na Europa e na América, ouvem-se as histórias dos famosos “lobisomens”, na Ásia ouvem-se as histórias dos homens-tigre e em África dos homens-hiena. Na Guiné-Bissau, são comuns as histórias de homens que se transformam em hienas - geralmente designadas lobos - ou de hienas que se transformam em homens.
Há relatos de que, numa tabanca em Susana, na região de Varela, uma célebre djambacós (feiticeira) foi, um dia, visitada por homens-lobo. Era noite e havia uma fogueira. Eram neste caso lobos disfarçados de homens, cobertos com mantos, muito embora a sua fala distorcida e os seus pés peludos não tivessem enganado a mulher nem as crianças escondidas dentro da moransa. Os homens-lobo encomendaram uma cerimónia e, depois de realizado o processo, deixaram o “agradecimento” num saco que continha nada mais que um conjunto de ossos de outros animais, em vez do habitual óleo de palma ou arroz tipicamente ofertado por seres humanos. Poucos minutos depois de se afastarem, ouviram-se os uivos das feras. Ora, neste curioso relato parecem estar equilibradas as forças entre estes seres sobrenaturais e os seres humanos, estando estes protegidos pela acção da djambacós, parece até haver uma espécie de troca de favores ou, pelo menos, uma convivência pacífica. O mesmo não acontece noutras versões, segundo as quais esses homens-lobo são eles próprios feiticeiros. Nestes casos, os homens feiticeiros escolhem a floresta e a noite para se transformarem. Transformam-se quando têm um determinado objectivo, como por exemplo roubar um espírito que lhes agrade. Se o feiticeiro conhecer uma criança ou jovem com um bom espírito, transforma-se em lobo para a poder matar e passar esse espírito a um mulher grávida da sua preferência, geralmente sua filha ou sobrinha. Depois dessa cerimónia, nascerá uma criança com o espírito bom das vítimas. Os feiticeiros podem também transformar-se em lobos sem qualquer intuito de beneficiar alguém, agindo apenas por inveja ou vingança.
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Relatos recolhidos por Djamila Vieira, Justino Ampanil, Ocante Yé, Abrão Nanque
* Do nome da personagem principal deste mito grego surgiu a palavra “licantropia”, que designa a maldição de um homem que se transforma em lobo. Designa também os sintomas psicológicos sentidos por indivíduos que acreditam transformar-se em lobos.
sábado, 14 de junho de 2008
Cidade de Bissau
Em negócios, em trabalho, de passagem como turistas ou para visitar familiares e amigos, são cada vez mais os visitantes (estrangeiros e nacionais) que chegam à cidade de Bissau. Para uma estadia mais curta ou mais prolongada, há diversas opções para passar o tempo em Bissau: visitar monumentos de referência histórica, fazer desporto, assistir a espectáculos variados, tomar um café ou um refresco, repousar, dançar, entre outros…
Monumentos Históricos
Construída no ano de 1941, “Maria da Fonte” faz parte da memória colectiva dos bissau-guineenses e fica no centro da capital, em frente ao palácio da Presidência da República. Bem no centro da praça está implantada a imponente estátua de uma mulher segurando uma coroa de oliveira, marco do império colonial português. Por essa razão não poucas vezes as autoridades guineenses tentaram arrancar a estátua da praça. Mas este esforço foi em vão e ela acabou por ficar. Resignadas, as autoridades decidiram mudar o nome à praça e a anteriormente designada “Praça do Império” é agora a “Praça dos Heróis Nacionais”. Apesar de estar hoje um pouco votada ao abandono, esta praça foi outrora sinónimo de alegria domingueira, já que era aqui que as famílias passeavam, conversavam e conviviam ao domingo. Hoje há algum desencanto neste “espaço morto”, apesar de ser ainda uma referência na capital.
A história da “Mão Negra” tem origem na tarde de 3 de Agosto de 1959. Nessa data, os trabalhadores do Cais de Pindjiquiti juntaram-se e gritaram a uma voz “Basta de precariedades!”: salários injustos, condições de trabalho miseráveis e recusa de diálogo perpetrados por empresas monopolistas. Os trabalhadores recusaram-se a trabalhar, fazendo greve, e exigiram mudanças e melhorias claras das condições de trabalho. Em resposta, gerou-se uma situação de conflito e disparou-se indiscriminadamente sobre os trabalhadores, que simplesmente não aguentavam mais a intolerância, a incompreensão e o abuso que provinham do regime colonialista.
Na sequência desses disparos, mais de cinquenta trabalhadores perderam a vida. Alguns desses corpos foram atirados ao mar e nunca mais foram encontrados. Em homenagem às vítimas deste massacre e para que não se voltem a repetir os mesmos abusos, foi construída a estátua “Mão Negra”, conhecida pelos guineenses como "mom di timba", que está situada ao lado do quartel da Marinha Nacional.
Lazer e espectáculos
Se quiser assistir a um espectáculo, há alguns sítios onde se pode dirigir. O Centro Cultural Português é um deles. Apresenta, todas as semanas, múltiplas actividades (teatro, música, cinema, exposições), especialmente ao final do dia. Também o Centro Cultural Franco-Guineense tem espectáculos diversificados. O espaço/ esplanada Lenox, embora um pouco afastado do centro da cidade, é um outro local a considerar, já que, para além dos espectáculos de artistas diversos, permite aos clientes saborearem uma refeição, deliciarem-se com um gelado ou simplesmente tomarem um café. Mas há outras esplanadas que permitem conciliar as refeições com um espaço ao ar livre e, ocasionalmente, com um espectáculo, como a famosa Baiana ou o restaurante e hotel Ta-mar. Note-se que se destacam a música e a dança, especialmente africanas, no que respeita aos espectáculos ao ar livre.
Existem, naturalmente, muitos outros espaços de lazer em Bissau, especialmente se nos estivermos a referir a restaurantes. Com comida europeia ou africana, podemos indicar, para além dos restaurantes dos hotéis, os seguintes: Dona Fernanda, Padeira Africana, Senegalesa, Dragon, Bate-Papo, Cantinho da M’Butcha, Benfica, Sporting, Dom Bifanas, Pensão Central, Sara Fast Food, Phoenicia, entre outros.
Vida Nocturna: Discotecas
A discoteca Plack é um espaço de divertimento nocturno, que recebe pessoas provenientes de diferentes partes do mundo, bem como as pessoas de elite da nossa sociedade. Define-se, assim, como uma discoteca selectiva, especialmente às sextas-feiras e sábados. Nestes dias, o vestuário dos clientes deve obedecer a critérios mínimos. Há também algumas condições para a reserva das mesas, já que o cliente tem que consumir uma garrafa de whisky, que lhe dá direito a entrada grátis. A sexta-feira é o melhor dia da casa. O principal objectivo da discoteca é a satisfação dos seus clientes, através do divertimento e de um bom serviço. Tendo em conta o tipo de clientes habituais, ouvem-se, num ambiente suave, sobretudo músicas Zouk e Kizomba. Aos sábados, o ambiente cria-se a partir uma mistura de vários estilos de música. Por sua vez, ao domingo a Plack oferece um programa mais descontraído, estando o espaço, a partir das 19 horas, preenchido com actividades juvenis, que vão da poesia à dança, passando pelo playback. O custo da entrada varia entre os 1000 fcfa (domingo) e os 2500 fcfa (sexta-feira). Ao sábado a entrada é grátis para as mulheres.
Para quem gosta de discotecas há outros locais para conhecer, embora mais afastados do centro da cidade, como as discotecas Sonhos e Bambu. São locais mais espaçosos e também com um ambiente mais descontraído.
Praticar desporto
O Estádio Lino Correia, localizado no centro de Bissau, permite praticar e assistir a diferentes modalidades desportivas: futebol, futsal, basquetebol, andebol e ténis. Com quatro campos de futebol (de 11), o Estádio Lino Correia tem sido usado pelas principais equipas, em treinos e em campeonatos oficiais, mas também por amadores, que apenas desejam praticar desporto e manter a forma física. Também os alunos dos diferentes liceus fazem ginástica neste recinto. Ultimamente este estádio tem sido beneficiado com várias obras, entre as quais a colocação de um relvado sintético, o primeiro na História da Guiné-Bissau. Bem perto do estádio Lino Correia, encontramos dois edifícios que não poderíamos deixar de destacar: o “Benfica” e o “Sporting”, hoje transformados em restaurantes e locais de convívio.
O Estádio Nacional 24 de Setembro foi inaugurado a 14 de Novembro de 1987 pelo actual Presidente da República João Bernardo Viera e tem capacidade para receber quinze mil pessoas. Neste momento o estádio encontra-se reabilitado, graças ao torneio ali realizado há poucos meses atrás (Taça Amílcar Cabral). O Estádio Nacional permite a prática de diferentes modalidades, como por exemplo, o futebol (de 11), o atletismo e a luta livre. Tem ginásio e um espaço que permite a prática de salto em comprimento. Apesar de todo o seu potencial, este estádio não é muito utilizado pelos bissau-guineenses no dia a dia, pois está muito afastado do centro e da maioria dos bairros com mais população. Por outro lado, tem a vantagem de estar situado perto do rio Geba, podendo os praticantes de desporto desfrutar do ar puro e de um ambiente mais reservado.
Onde ficar
Com diferentes apartamentos, quartos e serviços, com terraços e jardins interiores, uma sala de convívio e uma sala de pequenos-almoços, a Residencial Coimbra é uma opção que prima pela qualidade e pelo conforto, com a vantagem de estar localizada bem no centro da cidade de Bissau. Os serviços da Residencial Coimbra incluem também a possibilidade de fazer passeios turísticos pelo interior da Guiné-Bissau. O seu restaurante apresenta um estilo requintado, moderno e funcional. Depois do jantar, há ainda o Bar X-Club, onde se pode “beber um copo, entre dois dedos de conversa”.
Situado em pleno centro da cidade de Bissau, o Hotel Malaika é um local privilegiado para quem vem em negócios. O restaurante do hotel combina as cores da terra com os aromas da cozinha regional portuguesa e também com as iguarias da gastronomia internacional. O bar Malaika é também um ponto de encontro de excelência na cidade de Bissau. Na esplanada Rio Geba é possível desfrutar da vista para a capital, num ambiente calmo e sossegado, enquanto se aguardam os grelhados no carvão ou se repousa ao final da tarde. O hotel dispõe ainda de uma sala de conferências, a sala Amílcar Cabral, com capacidade para 80 pessoas, equipada com sistema de projecção e som, de forma a satisfazer as necessidades de grandes empresas.
A Pensão Creoula, também no centro da cidade, é uma casa com três quartos e uma sala de refeições. Um dos quartos é de casal e tem casa de banho privativa. Os outros quartos são mistos, ou seja, têm uma cama de casal e duas individuais. A pensão dispõe ainda de uma pequena cozinha, onde os hóspedes podem fazer um chá ou um café. É uma opção mais familiar e mais económica. Há ainda o restaurante Creoula, que disponibiliza refeições num espaço agradável.
Mais afastado do centro de Bissau, encontra-se o Palace Hotel, com todos os requisitos de um hotel de 5 estrelas. Com restaurante e piscina, está situado a cerca de 2 km do aeroporto.
Por: Bubacar Seidi, Solange Baldé, Hamadu Baldé, Gerson Badinca e Aliu Djassi.
"Torres Gémeos"
“Lil Saná” (Alassana Djaló), porta-voz do grupo Torres Gémeos - Grupo Musical da Nova Geração
A: Que elementos fazem parte do grupo Torres Gémeos?
L: Alassana Djaló, de 23 anos (porta-voz), estudante da Faculdade de Direito; Lésmis Monteiro, de 23 anos, também estudante da Faculdade de Direito; Libórriu Monteiro, de 25 anos e Ivandro, de 25 anos, ambos a estudar em Dakar.
L: O nosso grupo, chamado Torres Gémeos, foi fundado no dia 15 de Setembro de 2006. Um ano depois, já foram gravadas 5 maquetas, com destaque para uma música de grande sucesso: N’boa Ambiciosa.
L: A palavra ‘Torres’ tem a ver com o facto de os elementos deste grupo serem altos. ‘Gémeos’ significa instinto fraternal e amizade, de forma a igualar e a reforçar a amizade.
L: Um dos nossos objectivos é tornarmo-nos um dos grandes grupos de hip-hop de Bissau, seguindo as actuais tendências. O hip-hop bissau-guineense faz a fusão do hip-hop com o djambadon, com a tina e também tem influências do reggae.
L: Infelizmente nunca tivemos patrocínios. As gravações são fruto do esforço pessoal de cada elemento do grupo. Conseguimos alguma coisa através dos concertos que damos.
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L: Por falta de patrocínio, não gravámos nenhum álbum, mas sim maquetas. Uma maqueta é uma música e custa cerca de 15 000 fcfa. Para lançar um álbum, os custos excedem os 100 000 fcfa. Gravámos as maquetas em Bissau, num estúdio da Zona 7 e no estúdio da Rádio Mavegro. Gravámos as seguintes músicas: ‘Perdão’, ‘N’boa’, ‘Bué’, ‘Coca de Biombo’, ‘Caba Catem’, ‘Inveja’ e ‘Ka Bu Disam Sofri’. Os dois últimos trabalhos não foram divulgados na rádio porque precisam de algumas rectificações. ‘Bué’ foi gravado com um grupo dinamarquês que passou por Bissau.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Carnaval em Bissau
Mas, para sabermos mais sobre os bastidores do Carnaval em Bissau, entrevistámos quem mais sabia do assunto:
1 - Dódó das Máscaras, que participa há 14 anos no Carnaval, com as suas famosas máscaras.
2 – Fernando Saldanha, vice-presidente da Comissão Nacional Organizadora do Carnaval, com papel activo na organização de vários Carnavais, desde 1998.
3 – Os Netos de Bandim, que já ganharam vários prémios de Carnaval, desde 2000.
Por: Alaje Djaló; Fernando Tchuda; Franculino Gomes; Paluxo Ié, Vaniolino Mendes de Carvalho; Zezito António Pedro
(As perguntas feitas nas entrevistas foram discutidas e definidas previamente pelos alunos)
Dódó das Máscaras


Biografia
Dódó Pereira Tecanhe nasceu em Ziguinchor, no ano de 1972. Aos 5 anos foi para Bolama (Bijagós), onde frequentou o Jardim Infantil. Foi aí que, com os incentivos de um padre, contactou com a arte da escultura e lhe cresceu a vontade de prosseguir esse caminho. Em 1988 foi para Bissau, onde viria a ingressar na Escola Artística, na qual foi discípulo do professor cubano Silvestre Alves. O funcionamento da escola e os estudos foram interrompidos por causa da Guerra Civil de 1998.
A: Que tipo de trabalho faz?
DM: Sou artista plástico e o meu trabalho é a arte da escultura e da pintura. Também organizo actividades ligadas à cultura (espectáculos ao vivo, play-back, passagem de modelos, etc.).
A: Qual é a sua motivação para fazer este trabalho?
DM: É algo que tenho no sangue, é um “dom”, do qual não posso fugir. Estou dependente do meu trabalho artístico. Geralmente a minha motivação são as crianças, porque o meu trabalho é para as crianças. Aliás, como vêem, eu trabalho sempre com as crianças, com a sua liberdade criativa. As crianças têm uma grande capacidade de aprender, por isso prefiro-as como alunos e, para além disso, são elas as herdeiras das máscaras.
A: Que matéria utiliza para fazer as máscaras?
DM: Os materiais são vastos, mas em primeiro lugar preciso de um plano de trabalho, sendo indispensável a resma e o lápis para a execução do desenho das máscaras que vou edificar. Depois de ter o plano de trabalho recorro a materiais diferentes: troncos de papaieira; cartão; papel de sacos de cimento; pedras; latas; lama; paus para segurar as máscaras; preciso também de farinha de trigo para torná-las mais duras; os cornos que servem de dentes nas máscaras; tinta e outros objectos (chifres, contas, etc.) para o embelezamento das máscaras.
A: Quanto tempo demora a fazer cada peça?
DM: Para fazer o trabalho necessito de muito sol e farinha de trigo duro. Quando reúno essas condições, posso terminar uma peça em 24 horas ou um pouco menos.
A: Quais são os apoios que tem a sua obra?
DM: Há apoios, por exemplo, ao nível da divulgação. No dia 31 de Janeiro vou fazer uma exposição e desfile de máscaras da década de 80, intituladas de Vital e N’ghaé, no Centro Cultural Português.
A: Que mensagem pretende transmitir com as máscaras que está a fazer agora?
DM: São máscaras de Carnaval, por isso a mensagem vai de encontro ao lema deste ano: Combater a Droga e a Emigração Clandestina, para a afirmação da Paz e Reconciliação Nacional.
A: Há quanto tempo participa no Carnaval?
DM: Há 14 anos.
A: Que prémios já ganhou? E quais são as perspectivas para este ano?
DM: Já ganhei, em anos anteriores, prémios de 1º, 2º e 3º lugares. Este ano reúno condições para ganhar. Um dos prémios que mais gostei de ganhar, há alguns anos atrás, foi o prémio de uma máscara alusiva ao problema SIDA. Essa máscara foi adquirida pelo Centro Cultural Francês. Mas também já tenho perspectivas de trabalhos para anos posteriores. Para 2010 estou a preparar uma máscara dentro de água.
A: Tchando de Sintra é outro grande artista de máscaras, qual é a sua relação com ele?
DM: Fomos colegas de escola. É o meu irmão de profissão. Há outros artistas de máscaras que eu gostava de ver trabalhar, não só para o Carnaval, mas ao longo de todo o ano. E gostava que dedicassem mais atenção às crianças, que as envolvessem na arte, porque delas vai depender o desenvolvimento da cultura.
Os Netos de Bandim
A: Quando é que se formou o grupo? Como? Porquê?
NB: O grupo formou-se no dia 12 de Novembro de 2000. Surgiu através da Escola dos Jovens Associados do Bandim, com o objectivo de participar no evento carnavalesco organizado pela ACESA, para promover os novos valores e difundir a nossa cultura. Actualmente o grupo é constituído por 50 crianças e jovens, um coordenador, um vice-coordenador e um responsável de relações públicas.
A: Porquê o nome “Os Netos de Bandim”?
NB: Bandim é a terra dos nossos avós e nós somos netos deles e fruto desta zona. Foi nesta perspectiva que surgiu o nome "Os Netos de Bandim".
A: Quantas vezes já participaram no Carnaval? Já foram vencedores?
NB: Participámos no Carnaval organizado pela ACESA, onde fomos vencedores duas vezes. Participámos no Carnaval da TININGUENA sete vezes e fomos vencedores três vezes. Em 2006 participámos no Carnaval Nacional, onde fomos vencedores.
Mas não actuamos só no Carnaval. Já fizemos várias acções de sensibilização no país, nomeadamente sobre a prevenção de doenças contagiosas. Até já viajámos uma vez para o exterior, para o Senegal, participando numa festa de casamento.
A: Há alguma história que queiram contar relativamente ao Carnaval?
NB: Sim, há uma história que ficou na memória do grupo. Passou-se em 2006, quando tínhamos o apoio de uma organização internacional, que não queremos denominar, mas com a qual acabámos por ter alguns conflitos. Divorciámo-nos dessa organização, a qual estava convicta de que não ganharíamos qualquer prémio sem eles. Fizemos um grande trabalho e conseguimos ganhar o prémio principal.
A: Quantos grupos étnicos constituem o grupo?
NB: Os grupos étnicos que constituem o grupo, no que respeita às suas danças, são: Balantas, Fulas, Mandingas, Felupes, Bijagós, Manjacos e, em estudos, Biafadas. Também temos danças mistas. Mas, independentemente das questões étnicas, o espírito do grupo é formar as crianças e envolvê-las na cultura nacional. Refira-se que o grupo é rigoroso em termos disciplinares, o que é bom para a formação dos jovens. Só com alguma disciplina se pode conseguir algo, sem abdicar é claro da criatividade de cada um.
A: Quais são as vossas perspectivas para este Carnaval?
NB: Neste Carnaval queremos ser vencedores. Para isso temos que trabalhar muito. Ensaiamos durante o ano todo, aos sábados.
A: Quais são os temas das vossas canções?
NB: Estamos a trabalhar o tema oficial do Carnaval, mas também a representar outras canções importantíssimas, de carácter étnico. Por exemplo, a dança de “campuni” da etnia Bijagós
A: Objectivos para o futuro.
NB: Legalizar o grupo, viajar de avião e fazer um blogue para o grupo.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Um turista no paraíso!
Sinto o vento e o ritmo das ondas!
As ondas embalam-nos e parece que regressámos à infância. Nas praias, podemos acampar, podemos mergulhar, podemos passear. As ilhas Bijagós são locais fantásticos e maravilhosos.
Sinto-me um turista no paraíso!
Crónica de Viagem, por Zézito António Pedro
Pano de Pente
Em que situações usamos o pano de pente?
“Num choro (enterro), a família da pessoa que morreu pode oferecer um litro de cana bordão e um pano de pente às pessoas que fizeram a cova.” Djamila Vieira (11ª T2)
“No dia do seu casamento, a noiva (papel) tira os cabelos, unta-se com óleo de palma e cobre-se com um pano de pente.” Wrsulina Fernandes (11ª T2)
Porquê o nome pano de pente?
O nome deve-se ao instrumento com que são feitos esses panos, chamados pente! Um pente é constituído por quatro varas de palmeira; duas varas de madeira, com o formato de uma serra; uma roldana, que permite o movimento das varas; o pedal e o pente; a lançadeira, com um formato semelhante a uma piroga de pequena dimensão e que permite lançar as linhas horizontais do pano, tendo no seu interior uma canela de linha e um fio de vassoura que permite o rolamento da linha. As linhas usadas para a construção do pano de pente são mais grossas do que as linhas usadas pelos alfaiates comuns e geralmente vêm de Dacar. Antigamente usavam-se as linhas de algodão produzido na Guiné-Bissau, mas hoje em dia são mais usadas as linhas importadas, apesar de algumas mulheres grandes ainda recorrerem às linhas de algodão que elas mesmas produzem.
Pista de Convívio
Amadú Dafé

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