Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Concurso de Poesia - 10 de Junho

1º lugar: Africanidade
.
Quero voar num céu de sonhos
Temo partir sem o teu sorriso africano
Não quero entrar no luar
Com o coração fatiado
.
Sorri para mim África
Sorri como flor que desabrocha na luta
Sorri como madrugada que jura amanhecer
Sorri como o sol que brota do nosso suor
Sorri para mim África
.
Sorri para mim África
Sorri como a bandeira que aspira à liberdade
Sorri como o hino que impulsiona a nossa força
Sob a brisa da nossa vitória
.
Nelo Almeida (aluno da 9ª classe)

.
.

2º lugar: Olá África
.
Minha pátria querida,
terra onde nasceram os filhos
que outrora serviram o seu continente
com dignidade e amor.
.
Oh minha África,
terra escravizada pelos colonos
que levaram os teus filhos para a América, Ásia, outros cantos do mundo
e que poderiam contribuir para o teu progresso.
.
Minha África, terra com que sonhei
que um dia viveríamos unidos com outros povos do mundo.
Porque não pode existir a paz, a liberdade, a justiça?
Porque não podem existir muitos Nelson Mandela, muitos Cabral, muitos Kwame N’Krumah?
Esta não é a África deixada pelos grandes líderes
que decidiram morrer para libertar a pátria.
.
Oh minha África,
quando vi os teus filhos fugirem para a Europa, América, África, outros cantos do mundo
todos ficámos tristes, porque África tem tudo.
Não valia a pena dos teus filhos.
.
Minha África, será que um dia te vou ver diferente?
Será que um dia vai acabar a guerra e serão felizes todos os teus filhos?
Queremos que os Estados africanos sejam irmãos e filhos da mesma mãe.
.
Porque África é uma mãe grande e querida.
.
Inussa Djau (aluno da 10ª classe)
.
.

3º lugar: Africanidade
.
Menino africano
Gotinha de chuva,
Para onde vais?
A caminho do rio
E depois para o mar.
.
Grãozinho de terra
Para onde vais?
Vou ver os caminhos que hei-de cruzar.
.
Menino africano
Que pensas fazer?
Um mundo mais justo
Para a gente viver.
.
Zelmar Gomes (aluno 8ª classe)

.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Canção da Chuva Grande

.
No dia da chuva grande, mãe,
quero sair para a rua
pulando e cantando
com o coração a bailar de alegria.
.
No dia da chuva grande, mãe,
de pés nus e roupa molhada
quero sair para a rua
fazendo coro com os meninos
que guardam o sol no olhar.
.
Jofre Rocha
(Angola)

Negra

.
Gentes estranhas com seus olhos cheios doutros mundos
Quiseram cantar teus encantos
Para elas só de mistérios profundos,
De delírios e feitiçarias…
Teus encantos profundos de África.
.
Mas não puderam.
Em seus formais e rendilhados cantos,
Ausentes de emoção e sinceridade,
Quedas-te longínqua, inatingível,
Virgem de contactos mais fundos.
E te mascaram de esfinge de ébano, amante sensual,
.
Jarra etrusca, exotismo tropical,
Demência, atracção, crueldade,
Animalidade, magia…
E não sabemos quantas outras palavras vistosas e vazias.
.
Em seus formais cantos rendilhados
Foste tudo, negra…
Menos tu.
.
E ainda bem.
Ainda bem que nos deixaram a nós,
Do mesmo sangue, mesmos nervos, carne, alma,
Sofrimento,
A glória única e sentida de te cantar
Com emoção verdadeira e radical,
A glória comovida de te cantar, toda amassada,
Moldada, vazada nesta sílaba imensa e luminosa: MÃE.


Noémia de Sousa
(Moçambique)

domingo, 19 de abril de 2009

Flor sem nome

.
Flor sem nome
Em chão árido e seco
No deserto envolvente
Um fundo verde
De esperança longínqua…
Eu sou essa flor
A florir longe de pensamentos
Longe de sentimentos
E ao longe
Lágrimas cobrindo rostos
Essa flor sou eu!
A beira mar
Colorida
Sobrevive também pelo verde


Odete Semedo
(Guiné-Bissau)

Não posso adiar o amor para outro século...

não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

não posso adiar
ainda que a noite pouse séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

não posso adiar o coração

António Ramos Rosa
(Portugal)

sábado, 21 de março de 2009

Dia Mundial da Poesia - 21 de Março


Tendo como principal objectivo a defesa da diversidade linguística, a UNESCO decidiu, em 1999, proclamar o dia 21 de Março Dia Mundial da Poesia.
.
Este é um dia que merece ser comemorado, porque, muitas vezes, são as palavras cuidadosamente cosidas em versos, que, com arte, defendem direitos e liberdades, exprimem sentimentos de dor e de amor, contam coisas com a beleza única da arte original.
.
Decidimos iniciar neste dia importante a divulgação de poemas de autores de língua portuguesa dos vários cantos do mundo, para que todos os interessados leiam o que se disse de mais belo em bom português.
.
Para todos os que gostam de escrever, para todos os poetas – particularmente guineenses – ainda por revelar, deixamos, neste dia especial, uma mensagem de apreço e o desejo de que se inspirem nestas palavras de autores já consagrados, nunca esquecendo que eles hoje o são, porque, ao longo de toda a sua vida, se rodearam de palavras. É que só pode escrever bem, quem lê melhor!

.
Ana Sofia morgado

O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen
(Portugal)

Guiné

.
De longe
Entre as sete colinas
Vejo-te
Mulher-grande
Sofredora e meiga
Imagino-te
Suave
Como quem diz amor
Balbuciando temor
Sinto-te sombra minha
Protegendo as minhas ibéricas noites
Esta ausência demorada
Faz-me ver o Geba
Subindo sobre o Tejo
Imagino-te
Mulher-mãe
Gente adulta
Renascendo como companheira do mundo novo.

Tony Tcheca (Guiné-Bissau)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Poesia

Pássaro da Paz
.
Pássaro azul, leva-me contigo
Pássaro do céu, pássaro do mar
Pássaro da Paz... leva-me agora
Quero aprender a voar e assobiar por cada canto
Quero cantar com a minha própria voz
.
Pássaro azul, leva-me contigo
Leva-me para não voltar
Leva-me até ao mar
Quero sentir o cheiro de longe
Quero gritar com a minha própria voz
.
Pássaro azul, leva-me contigo
Dá-me asas ou ensina-me a voar
Ensina-me a ir em bando
Quero cobrir o mundo do meu próprio sol
Quero lançar a paz com a minha própria voz
.
Pássaro azul, leva-me contigo
A voar em bando de asas
Quero anunciar com a minha própria voz
Quero iluminar o mundo da dor
Quero cantar a paz
.

Amadú Dafé
(Aluno do Clube e Atelier de Jornalismo 2006/2007)